Setenta vezes Vagalumes do Luar

 


Prestes a completar 70 anos, celebrados no dia 11 de fevereiro, a Escola de Samba Vagalumes do Luar está empenhada nos preparativos para o Carnaval de Rua 2026, que promete ser um dos mais emocionantes da história da agremiação mais longeva da Capital da Paz. “O público pode esperar um belo desfile, marcado pela alegria, organização e pelo empenho de toda a diretoria da escola”, comentou o diretor de bateria, Bruno Martins, em conversa com o Folha.

Martins é bisneto da fundadora dos Vagalumes, Universina Madruga, a Vó Vicina, e traz no sangue a paixão pelo samba e pela escola. “Esse legado é algo que carrego com muito orgulho. Cresci ouvindo histórias, vivendo o ambiente da escola e entendendo que a nossa agremiação é muito mais do que carnaval: é família, resistência, cultura e pertencimento”, afirma.

Filho do mestre de bateria Júlio Silveira, ele recorda que aprendeu na infância sobre as técnicas de comando, afinação e ritmo. “Sempre tive grandes referências, como meu pai e os mestres Félix e Tupã, que foram fundamentais na minha formação”, diz.

Essa reverência à ancestralidade será levada à avenida. Para celebrar as sete décadas da entidade, o impacto e a emoção não virão da criação de um novo samba-enredo, mas do resgate de três letras que marcaram a história dos Vagalumes: “são composições que simbolizam parte importante da nossa trajetória e ajudam a contar o que construímos ao longo dessas décadas”, destaca.

Com ensaios abertos ao público, realizados sempre às terças e quintas-feiras, na Rua Trilha de Lemos, 282, a agremiação é atualmente presidida por Carmen Lúcia Madruga e Maria Andina Pereira. Também integram o diretório da entidade Cássia Silveira e Reila Pan y Água, respectivamente 1ª e 2ª secretária, e Natascha Garcia e Luciani Silveira, como 1ª e 2ª tesoureira.

Origens

Em plena década de 1950, época embalada pelas marchinhas imortalizadas nas vozes das grandes cantoras do rádio e que alegravam os foliões pelo Brasil, o carnaval em Dom Pedrito também vivia o seu apogeu: nos clubes sociais a festa era garantida com inúmeros blocos, entre eles o ‘Naquela base’ e o ‘Bloco do Jarro’, enquanto pelas ruas da cidade, a pioneira escola de samba ‘Ases do Ritmo’ democratizava o acesso à festa popular.

Foi em meio a esse cenário que, em 1956, nasceu o ‘Vagalumes do Luar’. Incentivado por Vó Vicina, o grupo era composto majoritariamente por integrantes do bloco ‘Quem ri de nós tem paixão’ e do grupo ‘As cabrochas’ — formado exclusivamente por mulheres associadas ao Clube Recreativo e Cultural Riograndense. Quatro anos depois, em 1960, o Vagalumes foi oficialmente elevado à categoria de escola de samba, tendo como primeiros presidentes Carlos Eugênio Quadros Rodrigues e Edy Madruga.

No livro ‘Dom Pedrito ontem, hoje e sempre’, a escritora Maria Izabel Vasconcellos cita, como pioneiros da escola, os nomes de Gessy Felix, Vilson da Rosa Madruga, Antônio Feliz, João Batista Rodrigues, Ataliba Rosa Madruga, Carlos Madruga (Tupã), Ariovaldo Dutra Alves (Didi), Rubim Gomes, Adair Felix, Morgado Madruga, Floriano Oliveira, Ediarte Cunha Dias, Armandinho Ferreira, Luiz Carlos Lopes, João da Silva Alves, Mariano Marques, Jair Antunes Cabral e Carioca.


*Conteúdo publicado originalmente na edição impressa dos dias 24 e 25 de janeiro.

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1 Comentários

Luciano Martins disse…
Essa é uma bela história....Vagalumes e Riograndense se envolvem em vários momentos de sua história....os blocos de salão da Riograndense geralmente saem na Escola e a Escola é sempre comvidada a participar dos festejos da Riograndense....minha família , dos 3 lados sempre se envolveram tanto na Riograndense quanto na Escola vagalumes do Luar....