24 de fevereiro de 2018

Coluna Espírita

A Piedade

 Uma das características que nos distingue das demais espécies é a aptidão para nos colocarmos no lugar do outro. Ante as dificuldades do ser humano, somos capazes de compadecermo-nos, em um primeiro passo e em seguida transformar esse sentimento em ações concretas através da caridade.

 Apesar de a maioria de nós, ainda ficarmos no primeiro estágio, pode-se considerar que já é um avanço, se olharmos a história da humanidade como um todo, visto que, apesar de tanta violência, não mais são cometidas as atrocidades das eras primevas, não mais as barbaridades da idade média. Não cabe aqui enumerá-las, pois nosso intuito não é contar a história, ela já está registrada nos livros e enciclopédias, chamamos a atenção tão somente para o fato de que, apesar de tudo, o hoje, é inegavelmente melhor do que o ontem. Os fatos o atestam.

 Diante do avanço tecnológico e intelectual observado na atualidade, por vezes, o aspecto moral é posto em segundo plano. Compreensível tal comportamento, visto que o progresso moral nem sempre caminha passo a passo com a intelectualidade. O espírito, tendo que evoluir em todas as áreas do conhecimento, necessita durante cada encarnação, aprender um pouco do muito que lhe cabe. Em algumas encarnações, ele progride moralmente e em outras intelectualmente. É comum vermos pessoas de grande envergadura acadêmica, sem a menor noção de ética e moral. Do mesmo modo, encontramos seres completamente analfabetos, mas que são capazes de nos dar as mais altas lições de amor e bondade.

 Esse sentimento que brota em nossos corações é por vezes sufocado por interesses imediatistas, egoístas e transitórios. Quantas vezes viramos o olhar para não ver o irmão caído, ou criticamos as autoridades por não retirar os maltrapilhos das nossas praças? Nesse último caso trata-se de sincera piedade ou será o simples desejo de torná-las mais aprazíveis aos olhares de quem por ali passa? E repetimos o velho adágio: "O que os olhos não veem, o coração não sente".

 Deixemos esse nobre sentimento fazer vibrar nossas fibras mais intimas, façamos como nos ensinou o espírito Michel quando registrou em O Evangelho Segundo o Espiritismo, em Bordeaux, 1862: "Ah!, deixai vosso coração enternecer-se, diante das misérias e dos sofrimentos de vossos semelhantes".
Como é nobre e bela a reflexão trazida pelo espírito. Pudera. Que gozos sente aquele que se deixa inundar pela emoção e, apiedando-se, levanta o irmão caído. Só quem vivencia essa prática pode dizer quão doce é a satisfação sentida por aquele que se permite enternecer perante o sofrimento de seus irmãos. Assim caminhemos no sentido de extirpar o orgulho e a vaidade, males que corrompem nossa civilização. Jamais permitamos que a rotina nos transforme em autômatos, dirigidos por modismos e falsas doutrinas. Jamais sufoquemos o amor que brota do mais fundo do ser e nos torna capazes de auxiliarmo-nos mutuamente, compreendendo que o mal sofrido por um é o mal de todos, pois, na essência temos a mesma origem, somos todos filhos do mesmo pai e temos idêntico destino.
Pensemos nisso!

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