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Coluna Espírita


Milagre ou evolução?

 Hoje, graças ao avanço do conhecimento humano, começamos a levantar uma ponta do véu que encobre nossa ignorância a respeito de tudo. Quanto mais caminhamos nessa senda, mais descobrimos que sabemos pouco, do muito que nos cabe aprender. Nossa noção sobre a criação universal, por exemplo, até o século 19, estava adstrita ao relato bíblico. Antes disso, algumas manifestações científicas já haviam ocorrido, mas poucos tinham coragem de ir contra Roma. Muitos dos que se atreveram, acabaram nas fogueiras. A história o atesta.

 Alguns teólogos afirmam, baseados na gênese mosaica, que nosso planeta tem em torno 6.500 anos, enquanto que a comunidade científica calcula um período um pouco maior, cerca de cinco bilhões de anos, argumento que se torna irrefutável, pois, o sistema de datação dos elementos demonstra ser muito curta a idade que os criacionistas lhe atribuem. O Espiritismo desde o seu surgimento, confirma através do Livro dos Espíritos, o caráter evolutivo da criação, sem descartar o aspecto criacionista. Para a Doutrina Espírita, o conteúdo cientifico é atributo indispensável para explicar o processo evolutivo de nosso planeta. Assim, torna-se importante registrar que, embora o Clero tenha se curvado ante as descobertas científicas, a maioria das religiões tradicionais, ainda se conserva estacionária no que diz respeito à criação e consequentemente fadadas a desaparecerem na mesma velocidade em que perfilaram suas mais diversas denominações.
 Atualmente, quem pretender impor teorias mirabolantes para explicar a vida, de duas, uma: ou está preso ao fanatismo da letra, ou está imbuído de obscuras intenções. Em qualquer caso, não conseguirá ir além de criar pessoas incrédulas e céticas. Compreende-se que muitos ainda se satisfaçam com teorias baldas de sustentação, afinal cada um acha-se em ponto diferente da estrada. Para a grande maioria, entretanto, o Gênesis, levado ao pé da letra, quando muito, representa uma fábula. Interpretado alegoricamente, traz nos dias da criação, períodos geológicos imensamente maiores.

 Não há demérito algum em a religião aceitar o aspecto evolucionista da criação. Deus não será diminuído, nem perderá nenhum de seus atributos só por admitirmos que sua obra seja progressiva e eterna, em vez de miraculosa. A ciência, por sua vez, não perderá sua autoridade, por aceitar o complemento divino que poderá esclarecer muitos dos enigmas em que ainda se debate. A primeira esbarra nos fatos que a desmentem. A segunda não consegue avançar além de certo limite. Onde uma e outra param, segue o Espiritismo, mesclando o que ambas possuem de melhor. Pretende ele ser o detentor da verdade? Definitivamente não. Com seus argumentos sólidos e sua inegável lógica, apenas apresenta uma alternativa para as lacunas deixadas pelas suas antecessoras. É inegável que, se em dois mil anos de cristianismo os detentores do poder religioso na terra não conseguiram cumprir com sua missão, outros deveriam vir para realizar aquilo que não foram capazes. Assim, surge a terceira revelação, o consolador prometido por Jesus, representado pela coletividade dos espíritos superiores, a qual Allan Kardec deu corpo através da codificação de seus ensinamentos. Cabe ao nosso livre arbítrio optar pelo pensamento que mais lhe satisfaça a razão, que mais consolação lhe traga, enfim, que mais respostas tragam ao seu entendimento. Pensemos nisso!

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