Monitoramento das águas subterrâneas do município
O projeto, que está sendo desenvolvido pela Unipampa (Universidade Federal do Pampa), campus de Dom Pedrito, tem caráter de uma ação de ensino, pesquisa e extensão da instituição, com coordenação do professor Fernando Zocche e objetiva fazer um monitoramento das águas subterrâneas do município. “Pretendemos classificar a água com relação aos aspectos físico-químicos e microbiológicos (coliformes fecais e Escherichia coli). Esta é uma bactéria ambiental, considerada um coliforme termotolerante (antigamente chamado de coliforme fecal) mas que também está presente em grandes quantidades nas fezes de humanos e animais. Essa bactéria pode causar doenças em humanos, logo, a presença dela na água de poço, além de indicar que a água não está potável, acena com a possibilidade de causar doença em quem usá-la”, ele descreve.
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| Fernando Zoche |
E acrescenta: “Foi uma ideia que tivemos a partir de uma orientação de aluno do curso de Especialização em Agronegócio, uma iniciativa conjunta minha e do Juliardi Lemos Cordeiro (o referido aluno).Em 2013 eu já havia feito alguns testes microbiológicos em águas de poços, aqui em Dom Pedrito, e agora é uma sequência deste trabalho numa escala maior”. Também estão envolvidos no projeto um acadêmico do curso de Enologia, Lucas de Vargas dos Santos, e a técnica administrativa em Educação, Cíntia Saydelles. A Corsan apoia o projeto, mas as análises são realizadas em laboratório da própria Unipampa-Dom Pedrito.
De cacimbas a poços artesianos
Um outro objetivo, lembra Zocche, é contribuir com as pessoas que fazem uso das águas subterrâneas do município (leia-se: desde cacimbas até poços artesianos, passando por poços de balde). “Informamos o resultado obtido com relação à qualidade da água em cerca de 48 horas. Existem poços no município que são centenários, em uso durante algumas gerações, cuja água nunca foi analisada. Pretendemos auxiliar essas pessoas para que tenham conhecimento do bem que elas possuem, que é um bem finito”, destaca o coordenador.
Intenção não é fiscalizatória
Importante destacar este enfoque: as pessoas interessadas, para serem beneficiadas com a iniciativa, podem questionar se precisam, para tanto, ter seus poços artesianos devidamente regularizados e licenciados por órgãos ambientais.
A propósito, Fernando Zocche explica: “Não fazemos essa exigência pois não é nossa atribuição nem nossa intenção. Queremos traçar um perfil da água que é consumida a partir de poços existentes. Nesse sentido também guardamos sigilo com relação aos poços e aos proprietários, não divulgaremos nomes dos responsáveis. Quanto aos resultados, usaremos com fins acadêmicos e posteriormente divulgaremos à população como um todo”.
E conclui: “Pretendemos ampliar as pesquisas com os micro-organismos encontrados. Faremos um perfil de resistência a antibióticos (antibiograma), o que já demorará mais tempo. Esse aspecto é particularmente importante, pois além de constatarmos contaminação da água, poderemos dizer que o micro-organismo é (ou não) resistente a determinados antibióticos”. Pretende-se, com o projeto, atingir o máximo de produtores possível, com, preferencialmente, umas 50 amostras diferentes, para ser este número bem representativo do município, um trabalho que irá durar pelo menos 2 meses. Até agora já foram identificados poços artesianos com presença de coliformes totais e termotolerantes.
Como participar do projeto
Os interessados devem, primeiramente, comparecer no campus da Unipampa em Dom Pedrito (Rua 21 de Abril, 80 – Bairro São Gregório – telefone 3243-7300), para retirar um recipiente devidamente esterilizado, onde apanharão uma amostra da água a ser analisada. Depois, é só entregar o material coletado no mesmo local e aguardar pelo laudo técnico. Todo o serviço é prestado de forma gratuita à população.


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