O final do 360 Graus
O radialista Sérgio Roberto Vieira, depois de levar ao ar seu tradicional programa ‘360 Graus’ por 32 anos, apresentou, na tarde da quarta-feira passada (31), pela Rádio Upacaraí AM, a última edição do consagrado espaço noticioso e de entrevistas, com ênfase na reportagem policial, alegando que está havendo incompatibilidade de horários entre seu trabalho como radialista e as funções que exerce como advogado (além de ainda ser vereador).
“Em nosso escritório somos apenas eu, meu colega, Diego Ferrer Rodrigues, e a estagiária Cecy Souza, que está no último ano de Direito. E, graças a Deus, o volume de causas e processos que temos hoje é muito grande, inclusive exigindo que viajemos para outras cidades e compareçamos a audiências que, muitas vezes, ocorrem à tarde, justamente no horário do programa. Estou sendo obrigado, portanto, a tomar essa decisão apenas em função do exposto”, declinou Sérgio Roberto, em entrevista exclusiva concedida ao Folha da Cidade.
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| Sérgio com a "Moça do tempo" do programa, Magô |
Natural de Rosário do Sul, em 1981 ele se transferiu para Sant’Ana do Livramento, onde fundou a Rádio Maratan AM, permanecendo na vizinha cidade por poucos meses, depois vindo para Dom Pedrito, trabalhar na Rádio Upacaraí AM, onde ficou até o final daquele mesmo ano. No início de 1982, Sérgio Roberto já estava na Rádio Sulina, apresentando o 360 Graus, marca registrada sua, que ao longo do tempo manteve características próprias, com linha noticiosa-informativa, de entrevistas e, principalmente, a reportagem policial.
Na Sulina, ele se manteve até 1991, quando retornou à Upacaraí onde encerra um ciclo de rádio-jornalismo.
Interessante destacar que justamente a linha que mais o consagrou junto aos seus ouvintes não é exatamente o foco de seu maior entusiasmo pelo rádio. “Acho que fui o primeiro repórter policial de Dom Pedrito, pelo menos que tenha notícia. Mas, hoje confesso que acho deprimente fazer reportagem policial. O fato é que embora o sujeito (esse, cujo nome falamos no rádio) seja criminoso, ele tem mãe, pai, filhos... que não irão gostar do que estamos noticiando. Acho deprimente lidar com a tragédia humana, onde a sociedade, as pessoas são as vítimas. E isso tudo acaba nos contaminando, a nós, que trabalhamos nessa área”, depõe o radialista/advogado.
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| Com equipe da Upacaraí |
Questionado, então, sobre o porquê se manteve nessa linha de trabalho por tantos anos, Sérgio Roberto responde sem hesitação: “Por força da profissão, porque as pessoas têm direito constitucional de estarem bem informadas, e eu fiz isso (o estilo de programa) por tanto tempo que já não tinha o direito de, em certa altura, abandonar aquela característica”.
O final do 360 Graus não significa, porém, uma despedida de Sérgio Roberto dos microfones. Ele deixa claro que terá um programa semanal, que irá ao ar oportunamente, na mesma Rádio Upacaraí, e continuará “dando pitacos”, como prefere dizer, em vários espaços da programação da emissora, especialmente no Primeiro Jornal, apresentado por João Roberto Vasconcellos e Renato Chiaradia, e no programa esportivo Bola na Rede, apresentado por uma equipe, liderada por Carlos Reinaldo Fonseca, logo depois do meio dia.
Fato é que o 360 Graus marcou época na história da radiofonia pedritense e, podemos dizer, regional, com um estilo inconfundível de se fazer rádio-jornalismo e a assinatura originalíssima e de grande aceitação popular de Sérgio Roberto Vieira. Deixará saudade!



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