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Silvio Bermann

Professoras, Eva Portilho, Marília Alencastro Maia e Vera Pires Maia

Feira do Livro: uma história de visionárias, além de seu tempo

 O projeto da Feira do Livro de Dom Pedrito começa com a professora Eva Portilho, sua idealizadora, e com o compromisso pessoal de Francisco Alves Dias – o Chiquinho -, assumido com Evinha, de que, se eleito prefeito, viabilizaria o projeto. E, como todos sabem, Chiquinho não era homem de falar em vão. Logo no primeiro ano de seu 1º governo, em 2005, acontecia a 1ª edição da Feira, no terreno onde funcionava um estacionamento da família Krüger, na Rua Borges de Medeiros, em frente ao Rancho Farroupilha Antônio Cândido da Silva Neto. O local, diga-se de passagem, foi cedido gratuitamente para sediar o evento. Eu estive lá, transmitindo meu programa ao vivo, na época pela Rádio Sulina.

 Eva Portilho era assessora de Cultura, um departamento ligado à Smec (Secretaria Municipal de Educação e Cultura), que era dirigida pela professora Vera Maria Pires Maia. Foi com Evinha que procurei informações para fazer este resgate da história de nosso maior evento cultural. Ela conta que, na época, Carolina Fagian, a proprietária da Papelmania, uma livraria que, infelizmente, não existe mais, a acompanhou até o Engenho Coradini, onde apresentaram à direção da empresa o projeto elaborado conjuntamente com o diretor do Museu Paulo Firpo, Adilson Nunes de Oliveira. Nascia ali uma parceria que perdura até hoje, com o Engenho Coradini assumindo o Patrocínio Master da iniciativa, independentemente de haver ou não projeto aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC), o que só aconteceu na terceira, quarta e quinta edições.

 Na 1ª edição, a receita da Feira foi de R$ 4.662,04 e a despesa, R$ 4.661,17. Foram comercializados 2.410 livros e o público visitante chegou a, aproximadamente, 7 mil pessoas. Participaram em 2005 as livrarias Papelmania, Central, Edições Paulinas, Centro Espírita de Jesus, MTG e Sesmaria Cultural (com obras de autores pedritenses). Eva ainda lembra de um estande para cinema e a participação da imprensa local, Qwerty, bibliotecas, escolas, cantores da terra, Urcamp, Instituto Artístico Carlos Gomes, 3ª Companhia de Engenharia, Museu Paulo Firpo e muito apoio da comunidade.

 Na 2ª edição, o número de livros vendidos subiu para 3.500; na 3ª, chegou a 4.827; na 4ª, 6003; a 5ª edição comercializou 5.443 títulos, número que subiu, na 6ª, para 9.483, atingindo 10.962 na 7ª edição e 12.026 na 8ª. Os números guardados por Evinha são relativos às 8 edições em que esteve a frente do evento, durante os dois governos do saudoso prefeito Chiquinho (2005-2012). Particularmente, levei meu programa de rádio para a maioria das edições da Feira – acho que para todas as oito primeiras, pelo que lembro. Mas sempre, todas as edições, tenho dedicado o primeiro bloco do programa, mesmo em estúdio, para entrevistar quem participa do evento. No ano passado, transmiti ao vivo do local em um dos dias, já na Rádio Upacaraí e, em 2018, repetirei o procedimento dia 11/10.

 Para fazer justiça, importante registrar o apoio e o entusiasmo da secretária Vera Maia naqueles idos em que nossa Feira do Livro se consolidava e crescia de importância, inclusive em nível regional. “Ela foi inigualável, bem como a excelente equipe que tínhamos na Smec”, refere Evinha, com saudosismo, ao dar seu depoimento”. Destaque, ainda, para a Sesmaria Cultural, presidida pela poetisa Gisele Bueno Pinto, e o Museu Paulo Firpo, dirigido pelo prof. Adilson, gente e instituições cujos nomes se confundem com a história da própria Feira.
Da mesma forma,  precisamos registrar o ótimo trabalho desempenhado pelo governo do prefeito Lídio Bastos, que sucedeu Chiquinho, dando continuidade com muito êxito a nossa Feira, com as secretárias Mônica Menegás (2013) e depois Gerusa Franco Severo, bem como os assessores de Cultura Gabriel Castilhos, Sidney Castilhos e Ana Paula Bálsamo, que se revezaram durante aquela administração.

 “Um dia, uma mãe me disse que seu filho tinha adquirido o gosto pelos livros e aprendido a ler graças à Feira do Livro. Isto não tem preço”, observa Evinha. Realmente, não tem. E evocando a importância de todos os patronos das 13 edições anteriores da Feira, chegamos à patrona deste ano, professora Marília Alencastro Maia, muito merecidamente pelo currículo de uma vida toda dedicada à Educação e à Cultura desta terra. Ela, a propósito, que já havia sido convidada para receber a honraria, durante o governo Chiquinho, não tendo aceitado na época por problemas de doença na família.
 Chegou o momento da mestra (minha companheira de programa, durante muito tempo, onde tinha um quadro em que ensinava os meandros da língua nacional), a quem cumprimentamos efusivamente, ao tempo em que conclamamos a comunidade pedritense a prestigiar nossa Feira, de 10 a 14 de outubro, na Praça General Osório, e nos deleitarmos,  todos, não apenas com o conhecimento que os livros oferecem, mas também com o banho de cultura que um evento desse nível proporciona, sobretudo às novas gerações. Carpe diem!

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