Silvio Bermann


Tele-Entrega    

      Com certeza, esse é um serviço que já era bastante utilizado antes da pandemia, mas depois desta passou a ser procurado ainda mais. E reconhecido, também, pelos seus usuários. Os adeptos da hiper valorização da língua inglesa, o chamam de delivery, mas tele-entrega parece bem mais adequado, afinal temos nosso idioma tupiniquim, apesar de muitos o desprezarem por acharem a língua dos gringos mais chique. 
A ida ao supermercado ou ao mercado familiar onde costumamos comprar, principalmente no ápice da pandemia, tornou-se uma ação de risco, sobretudo para os idosos e portadores de comorbidades, também conhecidas como doenças crônicas (hipertensão, cardiopatias, diabetes, etc). É aí que a tele-entrega entra em ação. O mesmo vale para outras voltas que precisaríamos dar e que acabam, também, sendo substituídas pelo trabalho do mensageiro: o remédio da farmácia, o pagamento de contas para quem não está familiarizado aos serviços bancários fornecidos pela Internet, as compras nas lojas locais pelo sistema de comércio eletrônico, também conhecido como e-commerce (olha o inglês aí de novo), etc. 
Muitas vezes, o guerreiro ou a guerreira da moto ou da bicicleta chega a nossa casa em estado físico lamentável pelas agruras de sua profissão, transpirando muito nos dias de forte calor, encarangado pelo rigor de nosso inverno ou encharcado nos dias de chuva. E, em troca de seus favores inestimáveis, recebem de nossa carteira apenas R$ 5,00 ou R$ 6,00 pelo trabalho bem feito. De minha parte, confinado em casa desde a última semana de março, até salário tenho recebido através de confiáveis trabalhadores da tele-entrega. 
Vamos mais longe: as entidades assistenciais e clubes de serviço, cuja maior parte da receita para se manterem e alcançarem seus objetivos advém da promoção de eventos, descobriram-se, de uma hora para outra, privados das rendas de iniciativas como o Carnaval à Moda Antiga, a Festa Retrô Abrindo o Baú, o Jantar-Baile da Independência, a Semana Farroupilha, o Ação Esperança da Liga, o Festival do Carreteiro e do Vinho, a Festa Italiana e tantas outras que poderíamos aqui citar.  Como alternativa, embora com renda bem menor, foi apelar para a promoção de eventos gastronômicos com serviço de recebimento no local pelo cliente, pela janela do carro (em inglês, drive thru) ou – olha ela aí novamente – do sistema de tele-entrega. 
Assim justificado, nosso registro de respeito a todos esses profissionais e um agradecimento sincero pelos inestimáveis serviços de utilidade pública que têm nos proporcionado, enfrentando não apenas a inclemência do clima mas, também, os perigos do trânsito e dos não mais raros meliantes de que são alvo pelas ruas e becos de nossa cidade. Tudo em troca de uma remuneração que, vamos combinar, mal é suficiente para o sustento de suas famílias. Um abraço apertado a esses guerreiros e guerreiras da tele-entrega e votos de saúde e sucesso. Carpe diem!

Publicada em, 17 de outubro de 2020.





Postar um comentário

0 Comentários