Silvio Bermann


Agosto chegou!!!    

     Não há mês sobre o qual impere maior preconceito do que agosto. Há muitas crendices populares e lendas a respeito. Dizem que uma delas teria surgido em Portugal, na época das grandes viagens marítimas. Por questões de clima, marés, etc, as caravelas partiam para suas longas e traiçoeiras viagens em agosto, daí as noivas serem desaconselhadas a casarem neste mês. A expressão original do ditado, portanto, não seria “agosto, mês do desgosto”, mas sim, “casar em agosto traz desgosto”, porque as recém-casadas poderiam nem ter lua de mel ou ficarem viúvas logo após o casamento. 
Danem-se os preconceitos! Agosto, para mim, sempre foi um ótimo mês, em praticamente todos os sentidos. Meu segundo filho, o Friedrich, nasceu em agosto. Meu programa de radiojornalismo estreou na Rádio Upacaraí em agosto de 1993. Lá se vão 25 aniversários do guri e 27 anos de rádio. Vamos combinar, é uma vida. Não tenho do que me queixar. 
Aliás, por analogia, filhos e programa de rádio são muito parecidos. Acabam sendo mais importantes para quem os tem do que a própria vida. Ambos proporcionam muitas alegrias, mas também algumas preocupações. E, mesmo que transcorra o tempo, o amadurecimento não torna mais leve esse convívio onde a experiência deveria compensar as surpresas e adversidades que se encontra pelo caminho. Criar um filho e atuar no radiojornalismo é, assim, um imperioso processo de reinventar contínuo e de nunca abaixar a guarda. Ou, como se diz no popular: não dar mole para o azar. 
Agosto é, também, um mês invernal, e para quem adora o frio, como eu, esse é mais um pedacinho do paraíso. Inobstante, também tenha os seus caprichos, pois às vezes, em pleno inverno, somos surpreendidos com um veranico, como aconteceu no final de semana que passou, e as que tudo indica se repetirá neste. 
Recordo de um agosto, há muitos anos atrás, quando ainda tínhamos em Dom Pedrito o Festival de Teatro, promovido pelo amigo Jeferson Souza. Naquele ano vieram várias companhias de fora, inclusive da ponta de cima do País, gente acostumada com o calor. Em uma noite, o termômetro do relógio digital da Praça General Osório emplacou 4 graus negativos. Os visitantes, maravilhados com aquilo, fizeram fotos junto ao mesmo, daí ter ficado o registro. Entretanto, além de encarangarem, principalmente os que ficaram alojados numa escola do município, teve quem fosse parar no Pronto Socorro. O Jeferson contará melhor essa história. 
De mais a mais, o mês, como os dias, é a gente que faz. Às vezes, o sol brilha lá fora, a gente vende saúde, a despensa está farta, a guaiaca está cheia e os que amamos nos rodeiam entre sorrisos e brincadeiras. E, mesmo assim, por qualquer bobagem ou mesmo sem motivo certo estamos de cara amarrada para a vida. Sorte que ainda acontece o contrário: também há momentos em que chutamos pedras e mastigamos ossos, e ainda assim a vida parece nos sorrir. Então, façamos assim: sejamos receptivos com o agosto, acreditemos que o que está ruim vai passar e o que está bom ficará melhor ainda. Depende de nós. Carpe diem!

Publicada em, 8 de agosto de 2020.





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