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Sindicato Rural e o Programa Deriva Zero


 Visando levar informação ao produtor rural, a Associação e Sindicato Rural de Dom Pedrito promoveu na quarta-feira passada (22) uma palestra com técnicos do Senar, onde foi abordado o tema "Deriva Zero", numa referência ao programa desenvolvido por aquele órgão. Estavam presentes agricultores de Dom Pedrito e região.

 O engenheiro Agrônomo, instrutor do Senar José Sérgio dos Santos Witt, que participou dos debates, é um dos executores do programa. Ele confirmou que a verdadeira intenção do programa é essencialmente a aplicação correta de defensivos, com destaque para os que têm o 2,4 D em sua composição, evitando a deriva, ou seja ,partículas do produto que, após a aplicação, ficam suspensas no ar e são levadas pelo vento, prejudicando pessoas e culturas, às vezes, muito distantes. Ele lembrou um problema que vem ocorrendo particularmente em Dom Pedrito e região com a cultura da uva, onde, devido à má aplicação de defensivos em lavouras próximas, vem causando danos às parreiras, daí a preocupação do Senar em qualificar os produtores no sentido de que essas perdas na aplicação não venham mais a ocorrer e chegar ao ponto de ter uma deriva zero. Ele avalia que em nível de Brasil, ainda é muito grande o desconhecimento dos produtores quanto ao manejo e aplicação de defensivos, fruto da falta de informação.

 De acordo com o presidente do Sindicato Rural, Luis Augusto Gonçalves de Gonçalves, a entidade vem desenvolvendo um trabalho incansável no sentido de transformar a mão de obra dos produtores locais para que ela seja o mais profissional possível, com a oferta de vários cursos, todos gratuitos. Quanto ao Programa Deriva Zero, diz ele ser este um trabalho em prol do agronegócio, e que visa a economicidade, e o uso da tecnologia a favor e não contra o produtor. No que diz respeito aos defensivos agrícolas, Guto destacou como primordial o conhecimento das tecnologias disponíveis, visto que se mal aplicada, ela termina por se perder, como vem ocorrendo em Dom Pedrito e muitas outras regiões quando se fala em aplicação de agroquímicos líquidos, onde a deriva oriunda de aplicações mal feitas estão prejudicando, em primeiro lugar, o produtor que a aplica, tanto financeiramente, por conta do desperdício, quanto a própria saúde, dele e de outras pessoas que são diretamente afetadas; em segundo lugar, por que esta deriva vem causando prejuízos a outras culturas vizinhas, como oliveiras e videiras, além das tradicionais, como arroz e soja. Outro fator destacado pelo presidente do sindicato foi a questão da resistência criada nas plantas invasoras de sua propriedade, o que em curto e médio prazo também trazem prejuízos. Então, informações sobre todas essas situações é que a Associação e Sindicato Rural de Dom Pedrito está trazendo, junto com  Senar, a Seapi, o Crea, o Mapa, um treinamento que é oferecido de forma gratuita a todos os colaboradores e produtores que queiram fazer, bastando para tanto, apenas realizar a sua inscrição. Além dessas ações, Guto salientou que a entidade tem feito visitas pontuais em lugares onde problemas com deriva vêm ocorrendo. O problema maior surgiu em decorrência de produtores que registraram a deriva de produtos à base do princípio ativo 2,4 D, que, se mal aplicado, como dissemos, causa perdas significativas em várias culturas. A união foi um dos pontos destacados por Guto onde, comércio e aviação, também tenham a consciência sobre os requisitos para venda e aplicação desses produtos, visto que todos fazem parte de uma única engrenagem. Ele ressaltou que a intenção não é inibir o uso de qualquer produto, mas sim, regulamentar e qualificar os produtores para que eles sejam corretamente aplicados. Naquele mesmo dia, uma ação prática teve início na vizinha Bagé. Ele foi insistente em dizer que o produtor precisa usar a tecnologia a favor, para evitar prejuízos financeiros e para a saúde.

 Para o assessor técnico do Sistema Farsul, Eduardo Condorelli, essa ação integrada que se resume no Programa Deriva Zero, tem diversos públicos, entre eles, os técnicos que trabalham junto às revendas de defensivos agrícolas; os produtores rurais e seus colaboradores, atacando assim, todos os envolvidos na aplicação de defensivos. Como forma de levar a informação a esse público alvo o Senar vem desenvolvendo essas ação junto ao produtores, indo, inclusive a campo identificar as principais regiões onde estão acontecendo os maiores problemas com deriva e convidar os produtores dessas regiões a participar das capacitações, no sentido de que haja um nivelamento de intenções e práticas que beneficiarão, em última análise, toda a cadeia produtiva. No entorno dessas localidades haverá, ainda, a orientação dos produtores e seus  funcionários quanto à regulagem de seus equipamentos. Todo esse esforço visa que o processo de conscientização dos agricultores seja suficiente para que não haja, por exemplo, a proibição de qualquer produto que seja, inclusive o 2,4 D. O objetivo, em resumo, é garantir que o produto aplicado em determinada lavoura fique apenas naquela lavoura e não vá, em forma de deriva, parar em outras localidades, afetando culturas e pessoas.

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