Programa Visão para Sempre capacita rotarianos
Aconteceu na terça-feira passada (21), um exercício de capacitação de novos rotarianos, pessoas que há pouco tempo passaram a integrar os quadros do Rotary Clube Dom Pedrito. A ação, coordenada pelo médico oftalmologista Rogério Tomazi, também integrante do clube, consistia em capacitar portanto, os novos membros para que eles possam participar das ações do programa, que visa, acima de tudo, a prevenção, identificando nas crianças que ainda não estão em idade escolar, possíveis casos de Ambliopia, doença que atinge 1 a cada 25 crianças, a conhecida vista preguiçosa.
Sobre o programa visão para sempre
O programa funcionou muitos anos com o título de projeto. Criado no ano de 2004, quando o Rotary Clube Dom Pedrito procurou dr. Rogério na intenção de buscar informações sobre a intenção que o clube tinha de desenvolver um projeto na área da visão para as crianças, nesta época dr. Rogério não era rotariano. Ele pediu um mês para pensar. Depois, ele lembrou da doença e sugeriu a ideia, apresentou como funcionava a dinâmica e a importância de se diagnosticar precocemente a Ambliopia. A recepção foi muito boa e tempos depois ele próprio passou a fazer parte do clube que ajudou naquela ocasião. De acordo com Rogério, a iniciativa nascida em Dom Pedrito no ano de 2004, é inédita em todo o país e já foi, inclusive, feito a capacitação em rotaries de Porto Alegre, Gravataí, e Santana do Livramento para que lá eles pudessem replicar a ideia. Só para ter uma noção, em 2014, ano em que o Rotary Clube completava 90 anos no Brasil, aconteceu um concurso em nível nacional que iria premiar os 90 melhores projetos rotarianos, onde, na área da saúde, o Visão para Sempre ficou na segunda colocação em todo o país. Um dos fatores que certamente colaboraram para que o programa fosse tão bem recebido e atingisse tamanho sucesso foi, sem dúvida, a sua simplicidade de aplicação e importância para o futuro da pessoa. Com custos extremamente baixos, visto que, além da boa vontade dos que participam das ações, são utilizados somente uma tabela de Optotipos, uma ponteira de lápis, uma lanterna, fichas de avaliação, etc, coisas extremamente simples.
Quebrando regras
Um dos grande pontos destacados no programa é justamente acabar com o conceito de que só se deve preocupar-se com a visão das crianças no momento em que elas estão na idade escolar, aos 6 anos de idade, momento em que já é tarde demais para se tratar a Ambliopia. De acordo com dr. Rogério, existe uma tendência, não só no Brasil, de apenas pensar na saúde da visão das crianças quando elas começam a ser alfabetizadas e aí já é tarde demais.
O tratamento
Uma vez identificado na criança a Ambliopia, o tratamento consiste essencialmente em aplicar um tapa-olho na vista normal, para estimular a vista com o problema, algo extremamente barato e de resultado totalmente garantido. De acordo com a avaliação do médico para o qual a criança foi encaminhada, o tratamento poderá ainda, ser conjunto a outras ações, como aplicação de colírio, uso de óculos e mesmo um procedimento cirúrgico. O ideal é que a criança passe pelo projeto cinco vezes, começando os exames quando ela ainda é um bebê.
A avaliação de todas as crianças
O programa aqui em Dom Pedrito conta com a parceria da prefeitura, que cede um veículo e dois profissionais da Secretaria de Saúde, um da Secretaria de Educação, para auxiliarem nos deslocamentos e na aplicação dos testes em algumas localidades. Participam todas as escolas de Dom Pedrito, municipais, estaduais e particulares, urbanas e rurais, onde todas as crianças passam pela avaliação. Não se trata de uma avaliação por amostragem, mas sim do teste feito com todas as crianças, repetimos.
Alguns números
Desde o início do programa foram milhares de atendimentos e crianças avaliadas. Fala-se apenas em exames realizados, visto que a mesma criança pode ser avaliada várias vezes, até completar 6 anos, idade limite. Mas pode-se falar que nesses mais de 15 anos de existência, o programa já realizou mais de 15 mil exames. A estatística apurada pelo clube é de que existe uma incidência de 4% de casos de Ambliopia, o que é um número bastante significativo.
Impactos no futuro
A Ambliopia não é apenas um problema de saúde que merece, por isso ser tratado. É sabido que a criança que tem alguma deficiência na visão, acaba tendo sérios prejuízos na sua vida escolar. Dr. Rogério exemplificou o assunto lembrando que uma criança que começa ter dificuldades nos estudos por conta da visão deficitária, geralmente irá repetir de ano, e daí outras situações podem se desencadear, como traumas emocionais e prejuízos sociais, resultando em danos irreparáveis na idade adulta, daí a importância do exame na idade certa, porque para a criança, um "borrão" em uma das vistas, por exemplo, é normal, ela não sabe avaliar de outra forma.
Por que visão para sempre?
Conforme dr. Rogério Tomazi, o programa tem esse título por duas razões distintas: a primeira delas é a de que se a criança for diagnosticada com 4 ou 5 anos, e tratada até os oito, por exemplo, mesmo que o tratamento seja suspenso depois disso, o tanto de visão que ela recuperou, será "para sempre"; o segundo, e não menos importante é a intenção de que o programa seja permanente, para sempre, portanto, por isso ele deixou de ser somente um projeto.


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