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Mohamad, ou Mamedi para os pedritenses, está em Jerusalém



 O pedritense de origem árabe Mohamad Eid, que a comunidade local chama, de forma abrasileirada, de Mamédi ou Muamédi – sim, aquele que era dono da Loja Ki-Barato, ali na Rua José Bonifácio, ao lado da Ótica Ideal – continua em Jerusalém, na parte israelense da cidade, mais exatamente no bairro Umm Tuba, localizado a uns 6 km da capital do estado judeu, nas proximidades de um kibutz (comunidade rural coletiva). Ele está por lá desde 2016. Mas, em contato conosco, do Folha da Cidade, revela que retornará ao Brasil, “(...) para abrir outro negócio, mas não loja, porque loja tem bastante por todo lado”, embora não saiba, ainda, onde se radicará na volta ao solo brasileiro.


 A área construída onde funcionava a Ki-Barato, como todos devem ter notado, está para alugar.


 No local, até recentemente, tocava os negócios da família o filho Outhman, que também retornou à Palestina, morando a uns 40 km de Israel. E o filho Adman – que também já morou em Dom Pedrito -, está radicado em São Paulo, não vindo até nossa cidade há uns 7 anos.



 Nas mensagens que trocamos com Mohamad, pelo Messenger, ele observa que em Jerusalém o horário é adiantado 6 horas com relação ao Brasil. Quando nos falávamos eram 8h45min em Dom Pedrito. Aqui já são 2 e 45 da tarde”, dizia Mohamad.



Ajuda Externa



 Ele ainda fez questão de nos passar algumas informações sobre temas variados, como política por exemplo: “Aqui tem muita corrupção. Enviam dinheiro para ‘libertar’ a Palestina, principalmente oriundo da Arábia Saudita e de Dubai (Emirados Árabes), bem como de outros países, mas só 30% chegam aqui. Em outra postagem nos convida para visitá-lo: “A passagem de ida e volta custa R$ 3 mil”.
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Ramadan

 E ainda observa que no dia 17 de maio, terá início o Ramadan, estendendo-se até o dia 16 de junho. Ramadan – que é o nono mês do calendário islâmico, no qual os muçulmanos praticam o seu jejum ritual, o quarto dos cinco pilares do Islã. Durante esse período, o muçulmano deve abster-se, desde o raiar da aurora até o por-do-sol, da ingestão de qualquer espécie de alimentos e bebidas, assim como de fumar e manter relações sexuais. O jejum é obrigatório para todo muçulmano que tenha atingido a puberdade e que goze de perfeita saúde física e mental. A gestante e a lactante, a mulher menstruada ou em resguardo pós-parto e os enfermos ou em viagem estão isentos do jejum, devendo repor os dias não jejuados após o término do período que o impossibilita de jejuar. Esta reposição será feita após o mês sagrado, podendo ser em dias alternados ou seguidamente, mas terá como prazo o último dia antes do início do próximo mês de Ramadan. Para o idoso ou portador de uma doença incurável, o jejum deixa de ser uma obrigação, devendo fornecer uma refeição a um necessitado (ou o valor equivalente) por cada dia não jejuado, caso tenha condições.

Manifestações em Jerusalém

 Mohamad, na manhã (para nós) de segunda-feira passada, narrava pelo Facebook o clima de protestos (e terror) que imperava em Jerusalém naquele dia em função da visita da delegação norte-americana a Israel (a filha do presidente Donald Trump, Ivanka Trump, e seu marido, Jared Kushner), momento em que os EUA transferiam oficialmente sua embaixada para Jerusalém, retirando-a de Tel Aviv, o que há semanas vem provocando protestos de palestinos na Faixa de Gaza. Até pouco depois das 10h (horário de Brasília) daquele dia 14 já se contabilizava 37 mortos e 700 feridos nas manifestações, segundo anunciava a Rádio Gaúcha de Porto Alegre. No Programa Time Line. Ao final da tarde o G1 noticiava 55 palestinos mortos.

 A questão é que os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como futura capital do Estado Palestino e a iniciativa de Trump em transferir sua embaixada para Jerusalém é um fato político internacional de que os EUA reconhecem essa legitimidade de Israel à sua cidade-capital que consideram “eterna e indivisível”. Nenhuma nação do mundo, até então, tinha sua embaixada em Jerusalém justamente para não aumentar esse confronto entre judeus e palestinos, preferindo fixar suas embaixadas em Israel na cidade de Tel Aviv. A atitude norte-americana, neste governo Trump, como que abre uma porteira que, doravante, dificilmente poderá ser fechada. Tanto é que Guatemala e Paraguai, na sequência, já anunciavam que também iriam transferir suas embaixadas para Jerusalém.

Ibrahim Eid, filho de Mohamad
 É neste clima de “panela de pressão prestes a explodir”, conforme alguns jornalistas estão descrevendo aquela região do mundo, ultimamente, que o pedritense Mohamad Eid se encontra, contando-nos, à distância, o que vem acompanhando naquele cenário conflagrado.

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