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Coluna Espírita

O preço da conquista

 “O trigo morre para nascer o pão; as flores, para crescer os frutos; a crisálida, para surgir a borboleta. As sementes têm um poder de brotar e gerar vida nova. Nenhuma transformação é imediata; a natureza exige constância e paciência  como preço do desenvolvimento. Somos almas em crescimento, precisamos estar em harmonia com o processo da vida, para liberarmos nossas potencialidades e fluirmos naturalmente” – da obra “A Imensidão dos Sentidos” de Manoel do Espírito Santo Neto, ditado pelo espírito Hammed.

 O conceito ao qual recorremos, do espírito Hammed, é um verdadeiro código de bem proceder aplicável a toda a criatura. Com efeito, nenhum objetivo é alcançado sem alguma parcela de esforço. É assim na vida comum, onde a criança enfrenta seus medos e dá os primeiros passos, inseguros no começo, e avançando em firmeza conforme o tempo passa; os primeiros dias na escola são, igualmente, desafiadores, mediante esforço ela junta as primeiras letras e conforme os anos avançam forma palavras, frases, textos, executa cálculos, forma conceitos, alcança uma profissão. Como será que chegou onde está? Não foi, obviamente, sentado ou de braços cruzados, mas através da aplicação de sua vontade, de seu querer, de sua persistência, abrindo mão de confortos e distrações, muitas vezes. Estas conceituações valem tanto para aspectos materiais da vida, como para tudo aquilo que é de caráter moral. Senão, vejamos. Todos nós, enquanto espíritos em marcha na rota da evolução, viemos experienciando múltiplas reencarnações, através das quais tentamos, uns mais, outros menos, nos despir de toda a carga negativa que adquirimos durante nossa milenar evolução. Funciona assim: ao mesmo tempo em que evoluímos, nesse processo de interação com as outras pessoas, vamos tecendo uma teia de relacionamentos, que por sua vez, criam elos entre espíritos afins, elos estes, que podem ser de amor ou de ódio. A reencarnação em meio a estes seres, na maioria das vezes através do instituto da família, proporciona os meios de se aparar as arestas deixadas pela falta de zelo da criatura durante anteriores encarnações, e é aí que entra em cena, mais uma vez, o conceito do mentor espiritual acima citado. Como espíritos com afinidades, boas ou más, podem dentro de quatro paredes, equilibrar, sanar suas antigas dores, senão através do esforço íntimo? Como podem espíritos inimigos, hoje unidos pelos laços da consanguinidade, curar as velhas chagas, verdadeiras feridas que sangram há sabe-se lá quanto tempo, sem o emprego da vontade e dedicação? Serão anos, décadas, séculos? Sim, muitas vezes o espírito devedor, atravessa eras inteiras com o pensamento empedernido, sem dar chance para que a semente do perdão e da humildade germine.

 A receita, contudo, para que o ser alcance qualquer objetivo, seja ele material, ou espiritual, está invariavelmente dentro dos preceitos trazidos há dois mil pelo meigo Nazareno. Através do perdão, todas as almas são chamadas a abandonar sua antiga conduta; pelo altruísmo, o cristo nos mostra que em essência somos todos irmãos, temos a mesma origem e idêntico destino, portanto, não há razoes para nutrir vaidade ou egoísmo, afinal, de que vale a guerra, se a paz é o seu destino? O amor ensinado por Jesus é o ingrediente indispensável para qualquer ação, qualquer pensamento, qualquer palavra. O esforço para alcançar o comportamento cristão, é sem dúvida, uma tarefa que demanda esforço também, mas que como tudo, a medida que se pratica, ele acaba por torna-se um hábito, o hábito do bem. Com fé, perseverança e amor no coração, não há tarefa que o ser humano não possa vencer. Pensemos Nisso!

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