Após terceiro dia de protestos, vários setores já sentiam os efeitos
Na quarta-feira passada (23), terceiro dia seguido de manifestações dos caminhoneiros, a notícia de que algumas cidades já estavam enfrentando falta de combustível, inclusive com decretos de calamidade pública, como no caso de Santa Vitória do Palmar, despertou os motoristas pedritenses desde o final daquela tarde. A cena que se via em todos os postos era de uma verdadeira corrida para aproveitar o pouco do estoque que os estabelecimentos ainda possuíam em seus reservatórios. Foi o primeiro reflexo efetivamente sentido pela população de Dom Pedrito, em relação ao protesto que iniciou no começo da semana. A simples possibilidade de falta de gasolina, principalmente, levou centenas de motoristas a lotarem os postos em busca de combustível para seus veículos. Todos os postos, sem exceção, registraram filas que, em alguns casos, chegaram a quase quatro quarteirões. Nossa reportagem esteve em alguns postos naquela noite e registrou, inclusive em vídeo, disponível na página do Folha da Cidade no facebook, as extensas filas que se formaram. Parecia um cenário visto nestes países em guerra, onde as pessoas, aflitas, correm para conseguir os produtos dos quais há carência. Nas bombas, frentistas abasteciam motocicletas, carros, camionetes, ônibus, caminhões, todos, agora mostrando uma real preocupação com as outras consequências que advirão, se os bloqueios nas estradas continuarem por mais tempo, como a própria falta de produtos em supermercados e farmácias, por exemplo, como já era possível perceber, principalmente dos ortifrutigranjeiros. Outro efeito que na quinta-feira (24) já era possível sentir, é que alguns revendedores já estavam com falta de gás de cozinha, e é claro, a maioria dos postos já não possuía gasolina, resultado da desesperada procura pelo produto, no dia anterior.
O Folha da Cidade esteve, também, visitando alguns supermercados da cidade e o cenário era parecido com o que se vê em véspera de feriadão.
As pessoas comprando de tudo, para reforçar o estoque em suas casas, com medo de que as mercadorias venham, a exemplo dos combustíveis, terminar nas prateleiras. Conversamos com os gerentes desses estabelecimentos e eles confirmaram, sim, que alguns produtos já começavam a faltar nas gôndolas, notadamente, frutas e hortaliças. A maioria dos supermercados não recebe produtos desde a terça-feira (22), em virtude de os caminhões que fazem esse transporte estarem presos nos bloqueios que acontecem em vários pontos do Estado.
O mesmo acontece com o gás de cozinha, pela parte da tarde do mesmo dia, muitos dos revendedores da cidade já estavam com as portas fechadas, e os que ainda possuíam o produto, estavam vendendo somente na portaria, e para os clientes mais assíduos, prática no mínimo, questionável.
Na quarta-feira (23) o presidente da Petrobras, Pedro Parente, anunciou a redução de 10% no preço do diesel nas refinarias e disse que a redução será mantida por 15 dias. Em nota, a estatal informou que o novo preço entraria em vigor no dia seguinte nas refinarias e terminais, medida que desagradou os caminhoneiros, pois que não contempla as exigências da categoria, fazendo com que os manifestos continuassem pelo país.




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