Coluna Espírita
A religião ideal
Publicado em 3 de fevereiro de 2018.
Algumas teorias dizer que o termo religião vem do Latim, “religare”, fazendo menção ao fato de que através deste sistema a criatura poderia se religar à divindade, o que é bastante aceitável, embora não seja a única interpretação, pois outro autor faz referência ao termo “relegere”, reler, sendo característico das pessoas muito religiosas que se dedicavam a ler repetidamente tudo que se relacionava com os deuses. Mas na prática, todas essas teorias não passam de conceitos que só servem para explicar a possível origem de uma palavra, nada mais. A religião, em si, se confunde com a história do próprio homem sobre a Terra. Hoje, pesquisadores já sabem que desde que os primeiros lampejos de consciência apareceram na fronte da espécie humana, a religião o acompanha desde então. Nos primeiros tempos, ela era muito imperfeita, como ainda o é nos dias atuais, é bem verdade, mas naquelas primeiras épocas, o homem associou as forças da natureza às divindades, por isso tantos deuses quantos eram os fenômenos observados. Julgavam aqueles primitivos povos que para aplacar a fúria desses deuses era necessário lhe oferecer algo em troca. Apareceram, então, as oferendas, inicialmente com o que ele julgava mais precioso, a vida humana, dando ensejo aos sacrifícios, que se perpetuaram por largos períodos seculares, costume totalmente equivocado, e que nos dias atuais causam estarrecimento quando raro caso vem à tona. A religião fez parte, assim, da história da evolução do homem, tanto que em quase todos os países colocada, muitas vezes no topo do poder.
Mas e nos dias atuais, qual é a melhor religião? Ou por outra, é necessário ter uma religião? O Espiritismo, por exemplo, diz que a melhor religião será aquela que mais homens de bem fizer, quer dizer, se uma religião que se diz a única correta, a principal, não estiver contribuindo para a transformação moral da pessoa, se ela apenas tiver a aparência exterior, enquanto que seu íntimo a desmentir, então esta religião está fadada a desaparecer, mais cedo ou mais tarde.
A religião deve ser um meio, uma ferramenta que possibilite à criatura estar mais perto de seu criador, e mais, ela tem que promover a paz, o amor, o perdão, o progresso moral, a harmonia e a concórdia entre as pessoas. Qualquer religião que estiver promovendo ações e sentimentos contrários a estes, ou está errada em seus postulados, ou foi desvirtuada por seus seguidores, o que é mais provável.
O mais importante não é ter uma religião, até porque existem pessoas extremamente religiosas que no seu dia a dia, dizem coisas e praticam ações que não condizem com o que pregam suas doutrinas. Neste caso, é muito melhor, ser um bom ateu caridoso, honesto, íntegro, do que um religioso, seja qual for o seu credo, apenas dentro das paredes de seu templo, desmentindo na vida comum, todas as coisas que diz acreditar.
Neste ponto é que surge a grande diferença entre religião e religiosidade. Ter uma religião, muitos o tem, mas possuir a verdadeira religiosidade, poucos são capazes. E por quê? Justamente pelos motivos elencados anteriormente. Ter religiosidade, até os que não acreditam em Deus a podem possuir, porque isto está ligado muito mais ao comportamento do que aquilo que se intitula. Atitudes religiosas são, portanto, aquelas que fazem a diferença na vida das pessoas, são ações, pensamentos e palavras que quanto postas em prática, aliviam, consolam, reerguem e mudam destinos. Se pudéssemos, então, dizer qual é a religião ideal, diríamos que é a trazida pelo Cristo há dois milênios – a religião do amor, do bem ao próximo e do perdão, independente de que nome se dê a ela.
Pensemos nisso!

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