Catador: a vida de um trabalhador
Eles estão em todas as cidades. Andam por todos os lugares, notadamente aqueles que possuem área comercial, que são, via de regra os que descartam materiais que estes trabalhadores aproveitam em seu ofício. A rotina não é fácil e os riscos também são muitos. Isso sem falar no preconceito sofrido pela sociedade como um todo, que acaba marginalizando e rotulando muita gente de bem e que na verdade, desempenha um papel muito importante na sociedade, pois eles são responsáveis pelo retorno de muitos materiais que, se não fosse o seu trabalho, iriam parar no lixo comum.
Na semana que passou, uma cena chamou a atenção de nossa reportagem que, ao chegar no escritório do jornal, avistou no meio da Rua Júlio de Castilhos, cruzamento com a Coronel Urbano um carrinho desses que os catadores utilizam em suas andanças, o que bastou para que encontrássemos nas redondezas o protagonista da história que passamos a contar.
Ele se chama Washington Silva e é natural de Santana do Livramento, onde já se dedicava a essa atividade. Em Dom Pedrito está há pouco tempo e conta que veio para cá a convite de um amigo que também o acolheu em sua casa. Em Livramento, Washinton já trabalhou em outras tarefas, como servente de pedreiro, por exemplo, mas decidiu tentar a sorte aqui por estas bandas, porque, segundo suas palavras, lá estava bastante concorrido, devido a existirem muitos catadores na cidade vizinha.
Ele nos contou que este não é o trabalho dos seus sonhos, mas em falta de outro melhor, foi a única alternativa e assim ele segue esta sina, como tantos outros. Os materiais que ele recolhe são dos mais variados, e engloba praticamente tudo que possa ser reciclado, desde que seja aceito pelas empresas que compram esses materiais: garrafas PET, materiais plásticos diversos, papelão, latinhas de alumínio, sucata em geral, etc. No seu caso, uma empresa o paga por semana. A rotina começa bem cedo, e muitas vezes se estende até a noite, pois ele precisa aproveitar enquanto o material está nas lixeiras, visto que o lixo não tem dono, o primeiro que chega, é o que leva.
O risco a saúde é um dos principais perigos a que se expõem esses coletores de materiais reciclaveis, visto que a grande maioria deles não utiliza qualquer equipamento de proteção individual.
Assim materiais perfuro-cortantes, como agulhas, cacos de vidro, muitas vezes mal acondicionados, são responsáveis por muitos acidentes.
Então fica a dica, quando for descartar materiais desse tipo, acondicione-os corretamente, de preferência, escrevendo o que contêm em determinado saco ou caixa.
Por derradeiro, não é demasiado dizer que todas as atividades são dignas, desde que desempenhadas com honestidade e respeito, por isso é que os trabalhadores como o Washington merecem o mesmo respeito e consideração que os trabalhos, ditos normais recebem.



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