O turismo da tragédia em Dom Pedrito - FOLHA DA CIDADE

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27 de janeiro de 2018

O turismo da tragédia em Dom Pedrito


Pessoas assistindo o assalto ao Mercado Martins- janeiro de 2018

 Quem já não viu? Ou quem já não acorreu a um local onde algo trágico aconteceu ou está acontecendo? Diríamos que este não é um comportamento observado somente em Dom Pedrito, muito embora, por ser uma cidade interiorana, acontecimentos como enchentes, crimes e acidentes são os responsáveis por ajuntar dezenas, centenas de pessoas ao seu redor. Por que semelhante comportamento? Especialistas dizem que a resposta está no cérebro, que aprendemos mais rapidamente comportamentos relacionados a emoções negativas, a exemplo de medo, do que aqueles relacionados a emoções positivas como prazer, alegria ou amor. Basta levar um choque uma única vez ao enfiar um arame na tomada para nunca mais repetir tal comportamento. Isso ocorre porque a consolidação da memória para eventos aversivos tem uma estrutura especial no cérebro, a amígdala (não confundir com as amídalas linfoides situadas na faringe), tamanha a importância para a sobrevivência de se aprender a evitar situações perigosas.

Acidente em julho de 2016,
na Av Barão do Upacaraí
 Absolutamente todas as vias sensoriais têm conexões com as duas amígdalas nos lobos temporais do cérebro. Assim, quando entramos em contato com uma situação de tragédia, gerando emoções negativas, a ativação da amígdala nos coloca em estado de alerta e recruta todas as áreas cerebrais necessárias para a aprendizagem. Ou seja, é natural interessar-se pela tragédia do outro porque ela desperta medo e ansiedade, duas emoções essenciais para garantir a sobrevivência, quer dizer, é impossível para o cérebro ignorar uma situação de tragédia com a qual entre em contato. O desenvolvimento dos meios de comunicação permite que a informação circule com muita facilidade. Quando um fato novo acontece, ele pode alcançar potencialmente boa parte da população mundial quase que instantaneamente. Este é o poder combinado da internet e do satélite.

Motoristas passeando em meio
 a enchente - maio de 2017
 É o que acontece em nossa cidade toda a vez uma enchente a assola, por exemplo. Só no ano passado, sete eventos dessa natureza nos afetaram, gerando aquele estranho turismo. Acidentes de trânsito, por conterem imagens impactantes, são um dos acontecimentos mais comuns de ajuntarem pessoas à sua volta. Outro exemplo clássico foi o assalto ao Mercado Martins, ainda este mês, onde uma funcionária foi feita refém. Durante aquela tarde, centenas de pessoas se aglomeraram nas redondezas. Um fluxo intenso de veículos estacionados e outros circulando para ver o que estava acontecendo, dificultando, inclusive o trabalho da polícia. O fato é que este tipo de comportamento rebaixa a criatura humana, apagando o pouco de moral que ainda lhe resta, além de fazer mal á saúde, psicologicamente falando, fato comprovado por especialistas que detectaram, inclusive, queda da imunidade de pessoas que se expõem a cenas degradantes. Fica a dica.





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