Rádio Upacaraí

7 de outubro de 2017

Achei que eu ia morrer - falou Zezinho sobre o acidente



 O acidente sofrido por um pedritense na semana passada, surpreendeu muita gente, pelo estado em que ficou o bitrem que ele dirigia. Pelas imagens, é realmente difícil de acreditar que alguém poderia sair vivo dali, mas aconteceu, José Patrocínio Rodrigues dos Santos - Zezinho, não só saiu vivo, como também sem nenhum arranhão, exceto por uma pequena lesão no pé.

 A reportagem do Folha da cidade conversou com ele e conta nas linhas abaixo o que ele lembra do ocorrido:
   

 Zezinho saiu domingo (24), de Dom Pedrito e foi até Porto Alegre e depois a Santa Catarina buscar tijolos e telhas. Ele estava vindo carregado para Dom Pedrito no dia 26. Na noite anterior, quando já retornava, estacionou no Posto Laranjeiras para pernoitar, eram aproximadamente 22h40min. Zezinho contou que iria vir até Bagé, mas algo lhe disse para ficar ali, pois deste momento em diante ele começou a sentir uma sensação angustiante muito forte. 1h 40min Zezinho acordou assustado, sentou no banco, desceu e começou a vomitar, foi no banheiro e se deitou novamente. Rezou, mas acordava-se a todo momento, e seguia rezando a Deus, a Nossa Senhora para que cessasse aquela angústia, até que se levantou às 5h, e seguiu viagem com a mesma sensação. 

 A viagem não rendia. Zezinho, então parou no primeiro trevo adiante, lavou o rosto e seguiu viajando. Uma hora e vinte minutos depois chegou ao Calcário Mudador, onde parou novamente, mais ou menos um quilômetro antes de se acidentar. Ali ele se deitou mais um pouco e lá pelas 7h decidiu seguir, pois estava se sentindo melhor. Quando foi sair, decidiu colocar as meias, o abrigo, o casaco, pois estava de bermuda. Deixou um colega caminhoneiro seguir na frente, pois que estava vazio. Seguiu viagem, e depois da curva, já a descer, sentiu o volante "dar um tirão" que lhe deixou o braço roxo. Ele conta que antes dessa curva olhou a hora e a velocidade e não sabe explicar o que houve. Depois do "tirão" do volante, sua audição se apagou. "Quando eu vi que ia bater na reta da parede, eu vi que eu ia morrer, não tinha escapatória, eu sabia onde eu estava, eu não dormi ao volante, tenho todas as imagens na minha cabeça, quando dei por mim, eu já estava fora do caminhão, sentado no barranco, com terra no rosto e na boca, sempre consciente, sem escutar nada, daí me levantei, e pensei 'peraí, eu tô vivo', vi que meu pé estava machucado, mas sem gravidade. Quando fui bater no barranco, lembro que levei as mãos a frente e disse 'meu Deus', pensei na minha família, foi tudo muito rápido, parecia que eu estava vendo um filme em câmera lenta, barulho não escutei nada, eu estava no barranco e ainda vi o caminhão terminar de se torcer. Curiosamente, existe na cabine a inscrição: "Nas Mãos de Deus". Minha irmã tinha me dado uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e eu guardei ela comigo, quando eu me levantei do barranco, a imagem estava na minha frente como que me olhando, aí eu peguei ela, comecei a escutar o limpador do parabrisa funcionando, o injetor ligado, o combustível caindo no chão, examinei para ver se tinha arrebentado uma barra de direção, desliguei a chave geral.

 Aconteceu também de uma pessoa, que eu não sei se existe, um senhor que eu não me lembro do rosto, mas vi que ele era forte, estava com uma jaqueta azul, ele me deu um abraço, e eu senti uma sensação muito boa, ele me agradeceu por ter salvado sua vida e a minha, nisso chegou uma pessoa que vinha atrás de mim de carro, e me disse que teria sido ele o primeiro a chegar, nisso começou a chegar gente, depois a ambulância, falou Zezinho, que tem 35 anos e dirige caminhão desde os 18 anos de idade, surpreso e agradecido por estar vivo para contar essa história. Milagre? Não era a sua hora? Crenças à parte, Zezinho está super bem e tão logo termine de se recuperar, pretende voltar ao trabalho.


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