O cervejeiro dos pampas


DIA DA BRASSAGEM -  Rafael Coradini e o amigo Kauê no dia da brassagem da Musa da Fronteira, uma de suas criações. A brassagem é o momento em que se mistura o malte e a água sob ação do calor.

 Desde o ano de 2010, um movimento que vem ganhando força com muitos admiradores e apreciadores, é o das diferenciadas cervejas artesanais. A esse respeito a reportagem do Jornal Folha da Cidade conversou com Rafael Coradini, jovem produtor rural e diretor comercial na empresa RC Alimentos, filho do conhecido casal Roberto e Evelin Coradini. Rafael disse que o seu trabalho no agronegócio é muito importante, mas a sua verdadeira paixão é a produção de cerveja artesanal, tanto que ele nem considera isso um trabalho. Ele nos contou um pouco de como surgiu esse gosto pela bebida e sua fabricação, as primeiras experiências gustativas e o que o motivou a iniciar sua produção.          

 A cerveja artesanal, por força de lei é aquela em que sua produção não se ultrapassa 3 milhões de litros ao ano, e que utilizam apenas os ingredientes básicos: água, malte, lúpulo e fermento, todos em seu estado natural, bem diferente das grandes cervejarias que adicionam ingredientes não convencionais como o arroz, por exemplo, na intenção de baixar os custos, além de conservantes, antioxidantes adjuntos cervejeiros, etc. Outra diferença entre elas é o tempo que leva para o processo de fabricação. Enquanto uma cerveja dessas que encontramos nas prateleiras do supermercado leva em torno de 4 dias para ficar pronta, a cerveja artesanal leva em média 20 a 25 dias para a conclusão do processo, ou seja, o tempo de fermentação e maturação são respeitados, o que acaba por contribuir na qualidade final do produto, que é totalmente diferente do que estamos acostumados a beber. Segundo Rafael pode-se dizer que são produtos distintos e quem provou uma cerveja artesanal, não quer mais a cerveja comum. Percebe-se que aqueles que entram nesse mundo primam pela qualidade e não pela quantidade, muito menos pela economia em suas receitas. As matérias primas, por exemplo, são todas importadas: Lúpulo, malte e fermento, vêm de países como Alemanha, Bélgica, Estados Unidos, Canadá e França.

KOMBI - A Dompa Bier Truck
 Ainda existem mais diferenças. A cerveja artesanal não é filtrada, daí a sua coloração mais turva; a cerveja artesanal segue a lei de pureza alemã, ou seja, nada além daqueles 4 ingredientes que falamos no começo. Basicamente, o que as diferencia é a escala de produção e os ingredientes utilizados. A artesanal foca na qualidade, a industrial, no lucro. outra curiosidade é que a cerveja artesanal emprega mais trabalhadores por litro envasado, que a industrial. Bom. As primeiras experiências que Rafael teve, se deram quando ele morou no exterior, onde esteve por 4 anos Estados Unidos e Espanha, lugares onde o movimento cervejeiro é bastante intenso há vários anos. Em Barcelona, a variedade de cervejas chamou sua atenção. E como ele sempre gostou de experimentar sabores locais, o seu gosto pela cerveja artesanal também foi crescendo. De volta ao Brasil, Rafael comprou seus primeiros equipamentos, fez cursos e produziu sua primeira cerveja. Neste ponto da conversa perguntamos em tom de brincadeira se foi possível beber. Ele nos disse, orgulhoso, que nunca foi preciso jogar fora uma só produção. Houve casos em que entre uma experiência e outra, alguns resultados não foram os esperados, mas nunca deu errado. 

LÚPULO - Este é um dos ingredientes essenciais e
 é responsável por dar aroma e amargor à  cerveja.
Acima é possível vê-lo na forma de "pellets"
.
 Hoje Rafael é Sommelier e tem na Dompa Bier uma marca registrada. Ele ainda conta que os cursos e dicas de outros cervejeiros contribuíram muito para sua formação, mas nada foi tão decisivo quanto a prática, o dia a dia na fabricação. Em sua cervejaria trabalham também os amigos Kauê Bueno que é  engenheiro Químico, e Alex Maciel.  Em Dom Pedrito, além do próprio Rafael, é possível encontrar suas cervejas no restaurante Cumbuca e no Buteco Prado. Ele conta que recebe encomendas e dispõe de chopeiras de 5l, 10l, 15l, 20l, 30l, e 50l, o que favorece qualquer evento, do simples churrasco de família até a reuniões maiores. Quem quiser, pode entrar em contato pelo facebook@dompabiertruck. Para o futuro - Rafael conta que o que começou despretensiosamente e fruto de uma paixão, tornou-se algo mais sério, sem deixar de ser paixão. Explicamos. Rafael já está com quase tudo pronto - projeto, documentação necessária, liberações, etc, para a construção de uma cervejaria e distribuidora artesanal aqui na cidade. Será uma maneira de fomentar o gosto cervejeiro na região. O local também servirá para a realização de cursos e workshops. É uma ótima notícia para Dom Pedrito, que vai passar a se destacar em mais esse ramo. Parabéns, Rafael!

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