Silvio Bermann
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| Fernanda Dall'asta - Matéria publicada em 05/11/2016 na página do colunista Silvio Bermann. |
Enóloga pedritense destacada em Congresso Mundial do Vinho
A enóloga pedritense Fernanda Severo Dall’asta, pela sua própria competência, volta a ser notícia nesta Página, agora em função de sua participação e performance obtida durante o 39º Congresso Mundial da Vinha e do Vinho, realizado em Bento Gonçalves, Serra gaúcha, de 23 a 28 de outubro passado – a primeira vez que esse grande evento é realizado no Brasil. Formada pelo campus da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) de Dom Pedrito, turma de 2016, Fernanda realizou seu estágio de conclusão de curso na Vinícola Batalha, de Candiota, onde adentrou em janeiro deste ano em curso. E em julho, depois de concluir seu estágio, já foi admitida como enóloga da empresa, responsável pela produção, hoje, de 82 mil litros de vinho e de 30 mil garrafas do produto. Fernanda é uma entusiasta da profissão que escolheu, e também uma visionária. Em entrevista que me concedeu na semana passada, ela disse: “Senti que havia uma falha na cadeia produtiva vitivinícola, já que o bagaço das uvas utilizadas para a fabricação do vinho não era aproveitado. Então, desde que entrei na Faculdade (em 2012) me propus a trabalhar com isso.
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Nas últimas três safras tratei 12 toneladas de bagaço. Foquei em várias linhas de pesquisa”, ela conta. Na área da nutrição humana, preparou uma farinha integral, utilizando casca e sementes; e outras farinhas, só feitas de casca ou só de sementes. Seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) foi sobre isto, obtendo excelentes resultados por substituir parte da farinha de trigo utilizada, por exemplo, na produção de um bolo; na linha de aproveitamento vegetal, o bagaço foi transformado em adubo para o vinhedo e, para a área animal, aproveitado para fazer silagem.
A pesquisa foi apresentada durante o Congresso Mundial, sendo a única do gênero, e acabou interessando a representantes de vários países. De acordo com nossa enóloga, “(...) o interesse de outros países pelo tema reflete a carência de técnicas de valorização dos resíduos gerados pela produção de vinho, não só no Brasil, mas em todas as cadeias produtivas ao redor do mundo”. Como se isso não bastasse, apenas duas brasileiras receberam uma premiação simbólica da empresa Bruker, durante o Congresso – Fernanda Dall’asta e Ângela Dachi, esta também bacharelada pela Unipampa -, por ambas terem acertado uma pesquisa promocional sobre vinhos do mundo. Funcionou assim: os enólogos receberam uma ficha contendo algumas informações sobre países participantes (Áustria, Chile, Portugal, Espanha, Itália e França), possíveis regiões destes países e possíveis variedades utilizadas para a elaboração dos produtos.
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| Mais de 30 países estiveram presentes no evento. |
Foram degustados às cegas 3 vinhos (1 branco e 2 tintos) e como critérios de avaliação precisavam adivinhar: variedade de uva, país de origem do vinho e região produtora. As meninas da Unipampa se destacaram entre os 10 melhores avaliadores de mais de 24 países. Convenhamos: isto não é pouca coisa. É um verdadeiro feito. Minha querida amiga diz sentir-se feliz pelo reconhecimento que obteve em nível internacional e que isso é um grande incentivo para seguir investindo em pesquisas maiores, em nome da sustentabilidade vitivinícola. Referindo-se a sua participação no Congresso, destaca, pontualmente: “Representei, nesse evento, o Brasil, o Rio Grande do Sul, a Campanha Gaúcha, a cidade de Dom Pedrito, a Universidade Federal do Pampa e o Curso de Bacharelado em Enologia. Represento, também, e de forma especial, a Batalha Vinhas & Vinhos, que é onde atuo como enóloga residente (ela reside na empresa e vem apenas aos fins de semana para Dom Pedrito) e porque foi a primeira vinícola que apostou na minha ideia e permitiu a implantação de centrais de tratamento de resíduos nesta safra, sob minha responsabilidade”.
Mas, é a declaração final de Fernanda que me fascina mais, porque ela reflete uma das maiores virtudes que conheço: a gratidão, principalmente com os que com a gente ombreiam trincheiras e são parceiros de verdade: “Obrigada a todos que abraçam comigo esta causa em nome da sustentabilidade no setor vitivinícola!”, declina Fernanda. Ao que acrescenta: “Missão cumprida!”. Em relação à participação no Congresso, até concordo. Entretanto, muitas missões e desafios ainda aguardam Fernanda Dall’asta nesse mundo fascinante da enologia que escolheu descortinar. Ficarei por aqui, a postos, para contar suas novas histórias.
Carpe diem!


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