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Mobilidade urbana - que trânsito queremos para o futuro?


 Por força de lei, o município de Dom Pedrito vem, há alguns meses desenvolvendo o seu Plano de Mobilidade Urbana, que, integrado ao Plano Diretor, deve incorporar os princípios da mobilidade sustentável, com foco no transporte coletivo e não motorizado.
 A partir de abril de 2015, o Plano passou a ser requisito para receber recursos orçamentários federais destinados à mobilidade urbana em todos os municípios com mais de 20 mil habitantes. As dificuldades técnicas e orçamentárias dos municípios pequenos fizeram com que os prazos fossem prorrogados, ficando o atual, fixado em abril de 2019.

 Como já falamos em publicações anteriores, o Executivo pedritense contratou uma empresa particular para elaborar o seu plano.

 A empresa Urban, de Porto Alegre, é a responsável pelo estudo e vem realizando os trabalhos no município. O engenheiro Eduardo Vargas e a arquiteta Letícia Corrêa, estiveram na prefeitura da cidade fazendo reuniões com algumas secretarias e órgãos municipais e explicaram como funcionará o trabalho, além de salientar como o processo deve envolver debates com a comunidade.

 A proposta do grupo na primeira etapa foi de fazer uma leitura técnica e coletar dados como os pontos mais críticos em razão do fluxo, locais com mais acidentes, falta da vagas de estacionamento, deslocamento de bicicleta ou transporte coletivo, etc. Na segunda etapa será apresentada uma proposta preliminar e a ação encerra com uma proposta mais concretizada na forma de projeto de lei. “Hoje não falamos mais de trânsito, mas de mobilidade já que envolve o fluxo de pessoas, veículos, estacionamentos, etc”, detalhou Eduardo Vargas. Além da Secretaria de Planejamento, Gestão Estratégica e Meio Ambiente, onde foi recolhida a maioria das informações, os técnicos estiveram também na Secretaria de Obras, Viação e Serviços Públicos (Núcleo de Trânsito), conversando sobre sinalização, manutenção das vias e pontos críticos de trânsito; na Brigada Militar, para colher informações sobre acidentes de trânsito e na Secretaria de Educação, onde o assunto abordado foi o transporte escolar. O próximo passo agora é estruturar um Conselho para que seja feita uma leitura comunitária com os representantes. Uma das primeiras iniciativas deve ser chamar a comunidade para debater. A primeira audiência pública deve ocorrer ainda no mês de setembro. Segundo a empresa responsável, com o estudo será possível prever quais mudanças podem ser aplicadas a curto e longo prazo. O plano tem validade de 20 anos.

 Estudos apontam que alguns dos problemas encontrados em muitas cidades quanto à mobilidade urbana pordem estar entre os que seguem:

- Sobrecarregamento do espaço;
- Limitação do fluxo;
- Aumento do índice de acidentes, tendo como consequência mutilações graves ou mortes;
- Pequena oferta de alternativa de mobilidade para atender o excesso de passageiros que dependem de transportes públicos;
- Poluição do ambiente.

 A ausência de políticas específicas para aumentar a oferta de meios de transporte viáveis e eficientes resulta diretamente na busca pelo transporte individual. A situação é impulsionada pela pressão da indústria automobilística que, além de dividendos, gera empregos no Brasil. Acontece que agindo assim, vai-se contra tudo o que países mais desenvolvidos já foram capazes de fazer: oferecer opções de transporte público de qualidade.

 Alguns chegam a fazer piada sobre o trânsito de Dom Pedrito, uma cidade com pouco mais de 38 mil habitantes. Mas a realidade é que a Capital da Paz deixou, há bastante tempo, de ter um trânsito tranquilo. Com uma área comercial muito concentrada e poucas opções de ruas com boas condições de trafegabilidade ligando pontos distantes, o resultado é que, em horários de pico, vias como a Av. Barão do Upacarai e Rua Julio de Castilhos, tornam-se verdadeiras armadilhas aos menos prudentes, o que também se deve à ausência de uma sinalização adequada, por não possuírem mecanismos de controle de velocidade e por fim, pela ausência de fiscalização.

 Nesse contexto, o Plano de Mobilidade Urbana para Dom Pedrito se faz não só necessário, mas urgente, pois dele dependerá que tipo de trânsito terá nossa cidade nas próximas décadas.

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