João Roberto Vasconcelos


PIADAS, ANEDOTAS E CHISTES  
É fácil imaginar a cena em pleno tempo das cavernas quando, após um dia cansativo de caçadas e busca   de frutas maduras, os homens se reuniam na volta do fogo onde se aqueciam, narrando suas aventuras do dia.  Surgiram assim   as tiradas engraçadas, com histórias  verdadeiras ou inventadas e as primeiras piadas ou anedotas. Nascia ali o bom humor  e o talento dos humoristas, que deviam encher a caverna de risadas. Esse cenário descontraído trazia junto  os contrapontos da neurastenia, rabugice e ranzinzice que certamente inspiraram  o surgimento do mau humor e das pessoas que, parece, estão sempre de mal com a vida.  O brasileiro é piadista, embora isso não seja para todos. A anedota  exige local adequado e equilíbrio de tempo, além da arte de saber contá-la e principalmente o final, que deve ter a inflexão certa para chamar os risos. É uma arte. Antes do rádio, televisão e internet a piada chegava com os viajantes que  a utilizavam como artifício para "quebrar o gelo" e fazer boas vendas. Depois veio o rádio com seus programas de riso onde as piadas se espalhavam  e tomavam conta.  Era o tempo do Balança Mas Não Cai nas rádios dos Diários e Emissoras Associados. A atração migrou mais tarde para a televisão, onde ganhou imagens e produções especiais além do surgimento de excelentes e consagrados humoristas. Hoje as piadas vêm pela internet onde podemos escolher entre clássicas, políticas,  de ocasião,  pesadas ou impróprias para menores. Estão de certa forma generalizadas. já tivemos as piadas divididas entre sala, galpão  e salão de barbeiro. Muitos foram se especializando, se aprimorando. Tem quem saiba todas do Joãozinho e até as que envolvem bichos. Nas  de gagos e  do fanha a interpretação é muito pessoal e exigente. Bem lá atrás houve o tempo   do Joãozinho e Mariazinha que apareciam com humor infantil, meio simplório, primeiro nos almanaques de farmácia e depois em revistas  próprias.As histórias do Bocage, famoso personagem boca suja, eram contadas longe das mulheres e das crianças, à boca pequena, com reservas. As de sexo, então, eram narradas de porta fechada. Tudo, pode-se dizer, mudou. Hoje predominam os contos políticos que ganham força e repetição especial dependendo do viés ideológico. Tudo, entretanto, fica por conta do piadista que necessariamente deve ter o dom. Por exemplo, quem vai contar uma piada de gago tem, obrigatoriamente  que gaguejar. Entre pesadas, clássicas, repetidas, adaptadas, simplórias ou daquelas que a gente ri  para não perder o amigo elas fazem parte do nosso dia a dia. Uma piada ou anedota é uma breve história de final feliz, engraçada e às vezes surpreendente, cujo objetivo é parecer ou provocar risos ou gargalhadas em quem as ouve ou lê. É  um recurso humorístico utilizado nas comédias e também na vida cotidiana de todas as pessoas. Evidente que tem piadas e piadas, incluindo as que não provocam graça alguma, também as ditas inteligentes do chamado humor   inglês, que a gente vai rir  três dias depois. Hoje, piadas, anedotas, caçoadas, peruadas, zombarias, gozações  e  chistes acontecem muito naquela  hora em que os homens se reúnem na volta da churrasqueira e as mulheres vão para a sala assistir televisão. Bom   humor  é o lado bom da vida. O gaúcho (alguns) adora chamar a atenção quando está em grupo usando tiradas engraçadas que surgem em busca de um riso ou de uma simpatia agradável.

Publicada em, 17 de outubro de 2020.