João Roberto Vasconcelos


AGORA, É SÓ CUMPRIR O CARNÊ  
    A figuração vem do futebol. Quando a certa altura do campeonato um time faz as contas e vê que não tem mais chance de sair campeão, e nem de ser rebaixado, fica cumprindo os compromissos da tabela esperando que o tempo passe. Estamos assim. Este ano, usando uma expressão popular, já era. Quem diria: um ser minúsculo, que a propósito, nem todos os microscópios conseguem captar, só os eletrônicos, deu um Mandrake  no mundo inteiro. Mandrake era uma brincadeira do "Paralisa" em  que as crianças congelavam quem fazia parte do trato. Ao ouvir a palavra "Mandrake" e não estando isolado, isto é, com os dedos cruzados, simplesmente ficava imóvel, até que houvesse outro comando que era a "licença". Pois os chineses em todas as línguas e em todos os lugares deram Mandrake e paralisaram o mundo. Só que  agora ninguém consegue dizer a palavra mágica  que atende por vacina. É tanto decreto que só falta alguma autoridade deletar 2020 como o Ano que não terminou, plagiando  o título do livro do jornalista Zuenir Ventura lançado em 1989. Está difícil para muita gente. Fico a pensar nos  professores, alguns que mal  sabiam lidar com o telefone celular e de repente tiveram que encarar aulas virtuais, usando plataformas especiais para enviar conteúdos aos seus alunos. Isso  sem falar no pessoal, muitos deles comerciários, que perderam os empregos. Temos ainda os  comissionados, os autônomos e outros que estão sem trabalhar. A pergunta é:  quem está empregando alguém  nesse momento? Lembrei também dos músicos, que vivem de eventos musicais agora suspensos pela pandemia. E os pipoqueiros que sobrevivem nas aglomerações, agora proibidas? Destaco  restaurantes e  lancherias que tiveram que se adaptar ao delivery -  entrega de comida e bebida em casa. Muita coisa mudou.  Tudo! Alguns  estão conseguindo se adaptar, mas há quem esteja na pior inclusive no item alimentação, ou seja, começa a faltar comida em algumas mesas. Já tivemos o nosso comércio fechado e a perda de sono dos empresários buscando uma saída para honrar a folha de pagamentos, os fornecedores,  e a sempre preocupante carga pesada dos impostos. É isso!  Vamos levando, ou como dizem por aí - empurrando com a barriga e contando os dias para que seja anunciada uma vacina i realmente eficaz e que consiga distensionar o mundo. Hidroxicloroquina criado em 1955, portanto há 65 anos, para combater a malária e doenças fotossensíveis foi anunciado  desde o começo pelo presidente Bolsonaro para casos de início da doença. Ele que  há poucos dias testou positivo  disse que ficou bom com esse fármaco. Um amigo me falou que esse  lado político, que não aceita o remédio, que é muito barato, está agindo assim, só para não admitir perante o presidente: "... Ele tinha razão". Vamos então cumprir o  Carnê. Destaquei várias profissões e setores paralisados com a pandemia, mas tem mais.Muito mais, como por exemplo os clubes sociais, proibidos de promover eventos  que ficam sem saber o que fazer com o custo operacional fixo envolvendo folha de pagamentos, água, luz, telefone e impostos. Ainda bem que tem muitos associados sensíveis à questão que continuam mantendo as mensalidades. Estamos, parece,  indo para o final. Alguns setores estão sendo revitalizados,  o futebol já está voltando mas ainda precisa muito. Tem eventos que  foram transferidos como a Expointer,  Festa da Uva,  Fenadoce, exposições, festivais musicais, bailes, formaturas, casamentos, Semana Farroupilha e outros. Lamentável.  Este ano não vai para história pelo milhar que o identifica mas sim como  "ano da pandemia", carregando muitas histórias recheadas de atos e fatos.


Publicada em, 8 de agosto de 2020.