Mesmo com 521 javalis abatidos em um ano, avanço da espécie preocupa produtor na Agropecuária Caty


Por Matias Moura / Jornal A Plateia 


Mesmo com o abate de 521 javalis entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o produtor rural Adroaldo Potter, proprietário da Agropecuária Caty, afirma que a população da espécie continua aumentando na região do Caty, em Sant’Ana do Livramento. Segundo ele, o avanço dos javalis, aliado à presença crescente do cervo-axis, tem provocado perdas significativas na ovinocultura, na bovinocultura e danos ambientais dentro da propriedade.

Potter relata que, até poucos anos atrás, mantinha um rebanho ovino voltado para a produção de lã e cordeiros. No entanto, a crise do mercado da lã e os prejuízos causados pelos animais invasores reduziram drasticamente a viabilidade da atividade.

“Nas últimas três safras, a lã sequer tinha mercado. Fiz doação da produção para a Liga de Combate ao Câncer, que conseguiu encaminhar o material para pessoas que trabalham com esse tipo de produto”, conta.

O maior impacto, entretanto, está na produção de cordeiros. Segundo o produtor, os índices de nascimento caíram drasticamente.

“Eu me considerava um produtor eficiente, com mais de 85% de produção de cordeiros. Hoje não ultrapasso 40%, principalmente em função do javali”, afirma.

Além da predação de cordeiros, Potter relata que os javalis também atacam ovelhas adultas e representam uma ameaça até mesmo para a pecuária de corte.

O controle realizado na propriedade ocorre dentro da legislação, por grupos autorizados e sem aproveitamento da carne dos animais abatidos.

“Eles não comem só os cordeiros. Atacam as ovelhas também. A vaca deita para dar cria e eles entram em volta do animal, colocando em risco tanto a matriz quanto o bezerro”, relata. De acordo com o produtor, grupos de controle têm atuado constantemente na propriedade utilizando drones com sensores térmicos, equipamentos de visão noturna e veículos para localizar e abater os animais. Ainda assim, ele considera que o esforço tem sido insuficiente.

“Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026 foram abatidos 521 javalis somente na região do Caty. Mesmo assim, afirmo que hoje existe uma população muito maior do que havia no início desse período”, destaca.

Potter esclarece que as ações de controle seguem rigorosamente a legislação vigente. Segundo ele, apenas dois grupos autorizados, devidamente licenciados, realizam o manejo dentro da propriedade. “Após o abate, todos os javalis são enterrados em valas. Não autorizo que a carne seja levada e também não permito o treinamento de cães na propriedade. Somente dois grupos autorizados, com todas as licenças exigidas, realizam esse trabalho. Nenhum outro tipo de animal é abatido aqui”, enfatiza.

Na avaliação do produtor, o controle depende de uma atuação mais efetiva do poder público. Ele critica a burocracia enfrentada pelos caçadores autorizados e defende uma política pública voltada ao enfrentamento da espécie invasora.

“Se não houver um controle amplo, com apoio do governo, o problema continuará aumentando. Hoje o processo para quem quer atuar legalmente é extremamente rigoroso”, observa. Além dos javalis, Potter destaca o crescimento da população de cervo-axis como uma nova ameaça às propriedades rurais. Segundo ele, imagens captadas por drones durante uma operação de controle registraram mais de 70 animais em uma área de aproximadamente 35 hectares.

“O cervo-axis está consumindo as pastagens durante a noite. Há áreas onde não consigo colocar animais porque a pastagem é totalmente utilizada por eles”, afirma.

O produtor também chama atenção para os impactos ambientais provocados pelos javalis. Segundo ele, os animais estão destruindo áreas de preservação permanente, comprometendo nascentes de arroios e riachos, além de causar danos à vegetação nativa.

“As nascentes estão sendo destruídas, assim como a vegetação das áreas de preservação. É um prejuízo que vai muito além da pecuária”, ressalta. Outro problema recorrente é a destruição das cercas da propriedade. Potter afirma que nenhum tipo de estrutura tem sido capaz de conter o avanço dos animais.

“Eles arrebentam cercas de arame, derrubam cercas de pedra e até as cercas elétricas acabam sendo rompidas. O primeiro animal passa, rompe a estrutura e os demais vêm logo atrás. É uma praga que está muito difícil de controlar”, conclui. Para o produtor, a combinação entre javalis e cervo-axis representa um dos maiores desafios enfrentados atualmente pela pecuária na fronteira, reduzindo a produtividade, elevando os custos das propriedades e ameaçando a permanência da ovinocultura em diversas regiões de Sant’Ana do Livramento. O controle realizado na propriedade ocorre dentro da legislação, por grupos autorizados e sem aproveitamento da carne dos animais abatidos.

Por Matias Moura

Jornal A Plateia 



Postar um comentário

0 Comentários