Em visita técnica ao município de Bagé na última terça-feira (24), o ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou a instalação do curso de Medicina no campus da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) da Rainha da Fronteira.
"Nós vamos sancionar a lei, no próximo dia 30, que vai permitir ao reitor dizer quantos professores vai ter necessidade para ofertar esse curso. Então, nós vamos já autorizar o número de professores e o número de técnicos, orçamento a mais na universidade para isso", afirmou o ministro.
A abertura do curso já foi autorizada pelo Conselho do Campus e agora segue em tramitação interna na instituição. Segundo a reitoria da Unipampa, o processo passará pela Comissão Superior de Ensino e também pelo Conselho Universitário. A efetivação ainda não tem prazo definido.
Após o anúncio, o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) emitiu uma nota nas redes sociais manifestando "preocupação com a autorização do MEC [Ministério da Educação]" para a criação do curso. Segundo a entidade, a medida é "populista e contraditória" e ignora a "grave crise estrutural da saúde local e os alarmantes resultados do Enamed [Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica]".
No texto, o conselho afirmou que irá "tomar medidas judiciais e extrajudiciais para barrar a criação de mais essa faculdade de medicina no estado".
Leia a nota do Cremers na íntegra
"O Cremers manifesta preocupação com a autorização do MEC para criar um novo curso de Medicina na Unipampa em Bagé. A medida é populista e contraditória, ignorando a grave crise estrutural da saúde local e os alarmantes resultados do Enamed.
Abrir uma faculdade de Medicina exige rede de saúde estruturada, campos de prática adequados, preceptoria qualificada e hospitais-escola equipados.
Bagé enfrenta o oposto: escassez de médicos especialistas no SUS, falta de insumos básicos, atrasos salariais para médicos e muitos trabalhando sem vínculo formal.
Que formação médica pode ser oferecida onde faltam medicamentos básicos e condições mínimas de trabalho?
Os resultados do Enamed confirmam a precarização do ensino. A aprovação do curso demonstra que critérios políticos se sobrepõem a critérios técnicos.
A solução não é formação em massa sem qualidade, mas valorização profissional, planos de carreira e financiamento adequado do SUS.
A vida da população não pode ser colocada em risco por profissionais formados em escala industrial, sem qualificação real.
O Cremers vai tomar medidas judiciais e extrajudiciais para barrar a criação de mais essa faculdade de Medicina no estado".
Uruguaiana também é contrária à implementação
O curso de Medicina é uma realidade no campus da Unipampa em Uruguaiana desde 2016. Diante do anúncio do ministro, a 19ª turma de Medicina emitiu uma nota de repúdio à decisão, apontada como "temerária e contraditória".
Segundo os acadêmicos, o posicionamento "não se trata de uma resistência à expansão do ensino superior, mas sim de uma defesa intransigente da excelência na educação médica e da responsabilidade ética com a formação de profissionais".
Ainda conforme a nota, a instalação do curso em um outro campus "fragmenta recursos escassos que deveriam ser aplicados na conquista de equipamentos e na manutenção de cenários de prática essenciais em Uruguaiana".
Confira o texto na íntegra
"A Turma XIX de Medicina da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) – Campus Uruguaiana, vem a público manifestar seu profundo e fundamentado repúdio à proposta de criação de um novo curso de Medicina no Campus Bagé. Esta posição não se trata de uma resistência à expansão do ensino superior, mas sim de uma defesa intransigente da excelência na educação médica e da responsabilidade ética com a formação de profissionais.
O curso de Medicina em Uruguaiana, embora represente uma conquista histórica para a região desde sua fundação em 2016, ainda caminha para sua plena consolidação e enfrenta, cotidianamente, gargalos infra estruturais que podem ser potencializados e não sanados com a efetivação de tal projeto.
A proposta de abertura de um novo curso em Bagé apresenta-se como uma medida temerária e contraditória, uma vez que a unidade pioneira ainda padece de um déficit estrutural e subfinanciamento. A dispersão de verbas para o estabelecimento de um novo campus inevitavelmente fragmenta recursos escassos que deveriam ser aplicados na conquista de equipamentos e na manutenção de cenários de prática essenciais em Uruguaiana.
A solução não é formação em massa sem qualidade, mas valorização profissional, planos de carreira e financiamento adequado do SUS.
A vida da população não pode ser colocada em risco por profissionais formados em escala industrial, sem qualificação real.
O Cremers vai tomar medidas judiciais e extrajudiciais para barrar a criação de mais essa faculdade de Medicina no estado".
Uruguaiana também é contrária à implementação
O curso de Medicina é uma realidade no campus da Unipampa em Uruguaiana desde 2016. Diante do anúncio do ministro, a 19ª turma de Medicina emitiu uma nota de repúdio à decisão, apontada como "temerária e contraditória".
Segundo os acadêmicos, o posicionamento "não se trata de uma resistência à expansão do ensino superior, mas sim de uma defesa intransigente da excelência na educação médica e da responsabilidade ética com a formação de profissionais".
Ainda conforme a nota, a instalação do curso em um outro campus "fragmenta recursos escassos que deveriam ser aplicados na conquista de equipamentos e na manutenção de cenários de prática essenciais em Uruguaiana".
Confira o texto na íntegra
"A Turma XIX de Medicina da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) – Campus Uruguaiana, vem a público manifestar seu profundo e fundamentado repúdio à proposta de criação de um novo curso de Medicina no Campus Bagé. Esta posição não se trata de uma resistência à expansão do ensino superior, mas sim de uma defesa intransigente da excelência na educação médica e da responsabilidade ética com a formação de profissionais.
O curso de Medicina em Uruguaiana, embora represente uma conquista histórica para a região desde sua fundação em 2016, ainda caminha para sua plena consolidação e enfrenta, cotidianamente, gargalos infra estruturais que podem ser potencializados e não sanados com a efetivação de tal projeto.
A proposta de abertura de um novo curso em Bagé apresenta-se como uma medida temerária e contraditória, uma vez que a unidade pioneira ainda padece de um déficit estrutural e subfinanciamento. A dispersão de verbas para o estabelecimento de um novo campus inevitavelmente fragmenta recursos escassos que deveriam ser aplicados na conquista de equipamentos e na manutenção de cenários de prática essenciais em Uruguaiana.
Sem que as carências da estrutura atual sejam sanadas, a expansão quantitativa de vagas apenas replica e potencializa a precariedade, colocando em risco a qualidade pedagógica e a formação médica pública no país".
A Unipampa não respondeu publicamente a nenhuma das notas.
A Unipampa não respondeu publicamente a nenhuma das notas.

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