16 de fevereiro de 2019

Silvio Bermann


Encerra hoje o 1º Encontro Internacional dos Povos do Campo

 Com uma mateada, das 9h ao meio-dia deste sábado (16), será concluído o 1º Encontro Internacional dos Povos do Campo, promovido pela Unipampa Dom Pedrito e Curso de Educação no Campo, nas dependências do campus local. A erva-mate utilizada nesse evento foi produzida pela própria equipe da Unipampa, pelo processo artesanal de Carijo, pelo qual os galhos da planta – a Ilex Paraguariensis, trazidos do município de Alegrete, foram sapecados, secos, cancheados e socados antes de virar a matéria-prima da mais tradicional bebida dos gaúchos, o chimarrão.

 Já provei da erva-mate produzida no carijo, uma cevadura que me foi presenteada pelos amigos da universidade no ano passado, na pessoa do professor Moisés Caraí. O chimarrão preparado com ela sai mais forte e com um toque de defumada. O processo de elaboração obedece ao mesmo conhecimento ancestral dos índios guaranis e camponeses que utilizam a planta nativa, uma espécie que gosta de sombra e cresce no meio da mata.

 Já o carijo é uma armação de varas ou taquaras, sobre o qual são dispostos os feixes de erva-mate e embaixo do qual se faz um fogo a uma altura apropriada (pouco mais de 1 metro), de maneira que produza a secagem lenta e gradativa das folhas por aproximadamente 12 horas.
 Neste meio tempo, acontece a ‘Ronda do Carijo’, momento cultural e de confraternização em que os participantes conversam, cantam embalados por gaita e violão e trocam experiências sobre suas vidas e culturas. A Ronda do Carijo, desta maneira, atravessa a noite, inicialmente regada a erva-mate industrializada, dessas que compramos empacotadas no supermercado, mas logo que começa a fase de cancheamento  erva que vai se acumulando ao fundo, ainda meio grossa, vai alimentando as primeiras cevaduras artesanais.

 Detive-me mais sobre esse enfoque, mas o Encontro vem proporcionando, ao longo da semana, a oportunidade de os convidados, junto com a comunidade universitária e demais interessados da própria comunidade pedritense – já que esse é um projeto de extensão -, discutirem e trocarem experiências e conhecimentos sobre os denominados Povos do Campo – camponeses, quilombolas e indígenas – resgatando e preservando suas culturas através de rodas de conversa, palestras, oficinas e outras atividades. E, também importante, uma programação para a qual é convidado o povo em geral, inclusive os cidadãos urbanos, que integram-se de alguma maneira à vida universitária da mesma maneira que a própria universidade já se inseriu em nossa própria comunidade e, gradativamente, vai modificando inclusive o modo de vida de nossa gente, trazendo outros tipos humanos, uma visão mais globalizada de realidade, novas perspectivas não só de futuro através da Educação mas, também, de todos, que já estávamos aqui, entendermos que há muito mais a ser descortinado além do estilo de vida que tínhamos antes de a Unipampa ser presenteada às Terras do Ponche Verde.

 Abri espaços em meu programa de rádio para esse Encontro, desde a semana passada, e realizei entrevistas com organizadores e participantes do evento vindos de outras localidades. Tenho aprendido muito com eles e, com certeza, devemos, todos, aproveitar essas oportunidades para crescermos como gente. Por que, inobstante nossas diferenças, origens, valores e cor da pele, pertencemos a uma única espécie e devemos nos deter, sempre, em potencializar o que nos aproxima e nos irmana, deixando de lado as mesquinharias que nos afastam e entravam nossa evolução pessoal e em sociedade.

 Cumprimentos à Unipampa pela iniciativa. Que venham mais eventos como esse. Desde já, garanto minha parceria. Carpe diem!

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