Rádio Upacaraí

22 de janeiro de 2018

A coxilha de São Sebastião


 Hoje o Folha da Cidade conta um pouco sobre a Vila de São Sebastião. Como no sábado, 20 de janeiro, comemora-se o dia do santo que dá nome à vila, nada mais oportuno do que explorar esse assunto, que é deveras interessante, e que muita gente, mesmo os pedritenses, não conhecem. Como é costumeiro, para a elaboração desta matéria, servimo-nos dos valiosos préstimos do professor e diretor do Museu Paulo Firpo, Adilson Nunes de Oliveira, bem como do acervo da entidade, onde algumas peças fazem parte deste trabalho. Os dados históricos foram extraídos de duas obras de João Francisco Trein Leite: "Coxilha de São Sebastião" que dá nome a nossa matéria e "Acontecimentos Históricos da Coxilha de São Sebastião".

Fundação da Vila de São Sebastião

 A Vila de São Sebastião é o resultado do adensamento da população em torno da Guarda das Pedras, depois denominado de São Sebastião. O povo muito religioso, assim que pode ergueu uma pequena choupana e escolheu como santo protetor o São Sebastião. Como outros núcleos populacionais, a vila não foi o resultado de um acampamento  militar transitório, mas  de um posto militar permanente. Essa guarda era guarnecida por integrantes do Regimento Dragões do Rio Pardo, onde estes militares permaneciam por períodos bastante dilatados. Como a sede ficava a aproximadamente uns 250 km, é provável que os guardas ali permanecesse com suas famílias, o que pode ter contribuído para que o número de pessoas, se adensasse. Pode-se afirmar, então, que a Vila de São Sebastião foi fundada  em fins de março de 1776, por Rafael  Pinto Bandeira, comandante das guerras do Sul, como consequência da criação da Guarda das Pedras, por muitos anos, um baluarte do Império Lusobrasileiro.

Vila de São Sebastião ontem e hoje

 Os primeiros integrantes da Guarda das Pedras tiveram que, eles mesmos construir suas próprias moradas a fim de se abrigarem do rigoroso inverno. Na época, eles lançaram mão dos materiais existentes nos arredores. A casa era de taipa, feita de leivas empilhadas e coberta de capim Santa Fé. As aberturas usadas eram de couro seco bovino ou cavalar, uma espécie de cortina, que não impedia totalmente a entrada do vento. Normalmente a casa continha dois compartimentos: uma sala e um quarto. O quarto possuía apenas uma janela e o acesso se dava pela sala, a qual possuía duas portas. Para evitar incêndio, a cozinha era construída separada da casa.

Ford Modelo T - Bigode, montado em São Sebastião?

 Pois é, parece piada, mas é o que conta o historiador João Francisco Trein Leite. Conta ele que, por volta dos anos 1915/1917 foram importados da Inglaterra, cinco automóveis da linha Ford (bigode), adquiridos por Martin Silveira e Cândido Xavier Azambuja. Os automóveis vieram de navio até Montevideu. Depois vieram por trem até Bagé, após passarem por Santana do Livramento. As peças dos veículos teriam vindo separadas em caixas de madeira. Depois disso, foram levados em carretas até a Coxilha de São Sebastião, percurso feito em dois dias. Em 1917 os automóveis desfilaram em Bagé, para o aplauso dos curiosos. Por não haver calçamento nas ruas onde aconteceu o desfile, o Jornal Correio do Sul, publicou na época, a nota: "É pedida a irrigação das ruas, pois os carros correm vertiginosamente (20 km/h), atitude criminosa, pois a população fica exposta à absorção de micróbios maléficos da poeira sufocante que levanta".

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