7 de outubro de 2017

À Margem da Sociedade

Também temos
 nossas chagas sociais
Esta pessoa já teve vários atendimentos e internações. Possui familiares
 na cidade e é  frequentemente recolhido pela ronda social
 

 Em uma escala bem menor, mas não menos impactante, Dom Pedrito apresenta os mesmos problemas sociais inerentes a toda cidade, seja ela de pequeno, médio ou grande porte. A pobreza, muitas vezes vestida de miséria, pode passar despercebida ao olhar da maioria das pessoas. As periferias são comumente o seio dos menos favorecidos, e assim, aqueles que não transitam por essas localidades, acabam não conhecendo a realidade da própria cidade onde moram.

Um dos usuários do albergue. Possui família
e proventos que são administrados pela mesma.
Fica nas ruas e à noite vai para o albergue.
 A despeito dessas situações, vez por outra, os ditos problemas sociais, vêm ao encontro da população. Eles surgem como alertas de que algo não vai bem na sociedade contemporânea. Em nossa cidade, em relação ao problema de moradores de rua, por exemplo, existem casos pontuais e que estão, via de regra, relacionados ao alcoolismo, aos transtornos mentais e coisas do tipo, o que gera, em algumas ocasiões, manifestações populares no sentido de condenar as autoridades competentes por não tomarem as devidas medidas para a resolução desses problemas.

Evanda Fenner - Sec. Ass. Social
 A Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social adota ações que estão dentro de sua área de competência, como a realização das rodas sociais, que visam atender aqueles que estão em situação de rua, fornecendo-lhes abrigo temporário, alimentação e higiene através do Albergue Municipal. Existe, porém, uma situação que não pode ser desconsiderada, que é o fato de que todo ser humano possui o seu livre arbítrio, o que implica em as equipes terem que respeitar a vontade dos que se negam a receber a assistência ou a respeitar as regrar mínimas de convivência no abrigo a eles destinado. 

Jones Moraes - Diretor do Albergue
 O Albergue Municipal, por exemplo, atende homens e mulheres maiores de idade, fornecendo-lhes um abrigo temporário e noturno, além de alimentação e higiene. Uma das regras básicas para se pernoitar naquele lugar é justamente não chegar alcoolizado, o que nem sempre é possível, pois muitos dos que chegam, levados pela ronda social, estavam na rua por conta da bebida. Uma das ações do atual governo foi abrir sua estrutura durante o dia no período do inverno, aos fins de semana, e de segunda a sexta-feira, aqueles que têm o perfil, seriam encaminhados ao Caps, o que também nem sempre acontece, visto que eles têm o direito de escolher ir ou não para aquele local.

"R" perambula dia e noite pelas ruas
remexendo nas lixeiras
 Casos de pessoas com transtornos psiquiátricos talvez sejam aqueles que mais dificuldade apresentam para serem atendidos. Um caso que tem tomado conta do comentário popular na cidade é o de um homem - R.V.N.V, que perambula pelas ruas e que tem causado certo temor nas pessoas, pois alguns relatos dão conta de que ele seria violento e já teria feito gestos obscenos em algumas oportunidades. Ele é visto comumente andando pelo meio da rua, remexendo nas lixeiras, de onde tira muitas vezes o seu alimento. "R", estava sendo atendido pela rede municipal de assistência, fazia tratamento no Caps e há alguns meses abandonou o tratamento e se encontra nas ruas desde então. Ele possui familiar, a mãe, que mora em uma localidade rural aqui do município, com a qual ele morava até então. "R" possui condenação transitada em julgado por um "crime sexual" e foi preso em dezembro de 2015 no Instituto Psiquiátrico Forense em Porto Alegre, fez tratamento e foi posto em liberdade por intervenção de sua família, com a condição de ficar na propriedade rural de sua mãe e seguir seu tratamento regularmente.

Wagner Oliveira - Coord. Caps
 Nossa reportagem conversou com Wagner Vargas Oliveira, coordenador do Caps, e que nos relatou o que tem sido feito a respeito deste caso. Wagner disse que sua equipe já tentou por várias vezes abordar "R", mas ele se mostra violento e nega qualquer intervenção. Seu caso já está no Judiciário, o qual solicitou um laudo para as secretarias de Saúde e de Trabalho e Desenvolvimento Social atestando sua condição e o descumprimento das medidas estabelecidas pela Justiça. 

 A partir daí, o Judiciário deverá determinar novamente a sua internação. Wagner falou que conseguiu interná-lo por algum tempo aqui em Dom Pedrito, mas que depois de dar alta, "R" seguiu nas ruas. Agora seu caso está aguardando estas medidas para ter prosseguimento

 A Secretária do Trabalho e do desenvolvimento Social também nos explicou que as equipes sob seu comando seguidamente o abordam, tentam dar o devido encaminhamento, mas esbarram naquele fator que destacamos anteriormente, qual seja, a vontade soberana que assiste cada um. 

 O meio judicial, que seria o caminho adequado quando o ser já não tem condições de decidir por si mesmo, possui seus próprios trâmites legais, e que não viabilizam que sejam tomadas as medidas com a celeridade que seria ideal. Resumindo, a rede de assistência do município fica de mãos atadas frente a muitos casos. 

Dormitório do Albergue Municipal
 Perguntarão: essas pessoas não tem família? Respondemos: sim, todos eles tem família. E por que elas não tomam parte em sua responsabilidade? Respondemos: porque as circunstâncias vivenciadas por cada uma delas gerou a desagregação familiar, a perda dos vínculos e somente a justiça, não raras vezes, é capaz de fazer com que, mesmo sob a obrigatoriedade da lei, assuma a sua parcela junto a seus entes. 

 A solução desses problemas está além da simples retirada deles das ruas. Implica em uma mudança de hábitos da sociedade como um todo.



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