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| Em 1900, carro alegórico com a rainha Enedina Brum |
A época é sugestiva de um trabalho com este tema. A intenção, todavia, não é traçar uma linha histórica sobre a festa de Momo na cidade, até porque o espaço de que dispomos não é tão grande assim, mas em algumas linhas e imagens, contar como eram estas festas pedritenses. A fonte de onde tiramos alguns extratos, bem como as fotos, são oriundas do acervo do Museu Paulo Firpo que através de seu diretor Adilson Nunes de Oliveira, possibilitaram a elaboração de mais esta matéria. Hoje, então lançamos mão de algumas publicações da década de 1920 e 1930, onde os famosos jornais carnavalescos eram comuns a cada ano. A propósito, Dom Pedrito já teve mais de cem jornais em sua história, mas sobre isto falaremos em outra oportunidade. Estas publicações eram editadas pelos blocos carnavalescos de salão, uma publicação por noite. Em seus escritos, textos críticos, humorísticos, fofocas e curiosidades acontecidas dentro dos clubes e que depois eram transferidas para o papel e faziam a alegria dos foliões, entrando, depois, para a história da cidade, literalmente. Vamos então, a partir de agora, reproduzir o que escreveram alguns dos foliões mais antigos de nossa cidade, bem como, conferir algumas imagens que eternizaram os tempos áureos dos carnavais pedritenses. Como é costumeiro, iremos preservar o estilo e grafia da época, portanto, não se surpreendam os leitores com alguns termos incomuns:
O ENFORCADO - Orgam do Bloco dos Enforcados, direcção de João da Forca e José Enforcado, 27 de fevereiro de 1926.
O Enforcado, nossas credenciais
A nossa terra atravessa o seu momento amargo de tédio, ou seja crise de dinheiro, ou seja crise de diversões, onde o povo possa esquecer as "aperturas" da vida. O facto é que, a nossa encantadora cidade apresenta a dolorosa impressão de um cemitério... Estamos na época das reacções... Precisamos, portanto reagir... É esta a missão d´ O Enforcado. A Forca não quer dizer desespero... Neste caso se impõe a lógica de que sômos sempre e cada vez mais governados pelos "mortos". Um Hoemm Casado é um homem morto, dizem as más linguas. Provaremos o contrário. Está dicto.
Esperteza
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| Bloco à Francesa de Dom Pedrito |
Rapazes há no seio de nossa melhor sociedade, que apesar de digníssimos, procuram afastar-se da linha impeccável que deviam seguir, do limite extremo de acção, quebrando o compromisso que assumem. E é assim que o senhor Helio, noivo como muitos outros, tendo ido dar uma serenata a uma distincta jovem que namorara, lá deixou um cartão cheio de phrases, num portuguez quasi puro e effusivamente amoroso, mas que infelizmente, para salvar sua responsabilidade com certeza, com muita perícia falsificou a letra de um seu amigo, comprometendo-o portanto. Ora, senhor Helio; isso é feio! Sentimos muito que cidadão de caracter tão nobre, como é V. Ex. preste-se a tamanhos exageros, abusando da bondade de seus camaradas. Terminando, lembro ao amigo o seguinte e velho adagio: "quem vae à chuva é para se molhar". Mais cuidado!
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