Efeito Borboleta – A Teoria do Caos
Cenário 1 - O indivíduo X era um homem sensato, trabalhador e de vida regrada. Mas também era pessoa por demais sensível e emotiva. E estava apaixonado por uma bonita jovem que desde a adolescência conquistara lugar cativo em seu terno coração. Ela possuía muitos talentos e virtudes, e até lhe correspondia o sentimento, embora desejasse aproveitar mais a vida antes de se permitir um compromisso mais sério. Nós a chamaremos de Y.
Certa noite de um sábado primaveril, enquanto X estava de plantão em seu serviço, Y cedeu ao convite de um amigo comum de ambos e foram se divertir em uma balada. Nada demais, que não pudesse ser normalmente superado por X quando soube do acontecido no dia seguinte, por intermédio de terceiros bem informados e com o hábito de se dedicar demais às vidas alheias. Mas, a riqueza de detalhes contada de como aquele encontro se dera foi se repetindo na mente de X ao longo do dia e seu coração foi ficando cada vez mais envenenado pelo ciúme e pela revolta.
Na noite de domingo, ainda magoado pelo ocorrido, X aceita o convite de amigos e, para revidar, também vai se divertir em uma concorrida festa, onde não faltaram mulheres bonitas, música alta e bebidas à vontade. Contrariando seus hábitos mais contidos, ele procura afogar sua dor com o álcool, amanhece o dia na farra e, de volta para casa, já segunda-feira, apenas toma um banho, troca de roupa e precisa ir para o trabalho, que, excetuando alguns plantões noturnos eventuais, era desempenhado normalmente no período diurno.
Por sua vez, Y, pelo mesmo grupo de ‘amigos’ que a haviam delatado a X, ficara sabendo, de seus excessos, motivados pelos sentimentos feridos daquele que a amava. Arrependida, acordou naquela segunda-feira decidida a ir até a casa dele – que ficava perto da sua -, para conversarem e pedir-lhe desculpas, antes mesmo de ele ir para o trabalho. Movida por tal intenção, cedinho ganha as ruas e se dirige à residência de X.
Nosso amigo sobe no carro, dá a partida e, com uma enorme dor de cabeça e reflexos lentos, vai percorrendo a distância que o separa do serviço. No percurso, um raio de sol atravessa o para-brisa e lhe fere os olhos congestionados, por um instante impedindo de ver o vulto que atravessava a rua na faixa de segurança. O choque é inevitável. Desesperado, X para o veículo, desce e vai até o corpo imóvel, caído no chão, reconhecendo Y já sem vida sobre o asfalto.
Cenário 2 – O jovem Z, que fazia parte do círculo de relações de X e Y – e que nutria uma paixão secreta pela moça -, vai até a casa dela na noite de sábado, aproveitando que X estava de plantão naquela noite. Convida-a para sair e ela pede algum tempo para pensar. Diz que mais tarde telefonará para dizer se aceitará ou não ir à balada com Z. Enquanto toma banho, fica refletindo sobre os últimos anos na companhia de X, a quem considera sua alma gêmea, sobre como se entendem em preferências, opiniões, em tudo, enfim, menos na questão de compromisso amoroso, já que, por ele, há tempos estariam casados. Ela é quem até hoje relutara em manter um namoro mais sério. Chega à conclusão de que, finalmente, daria uma resposta positiva a X. Resolve telefonar para Z, dizendo que não sairia com ele. Ao longo do dia seguinte, aproveita o domingo para amadurecer sua ideia e decide que na segunda-feira, bem cedinho, antes de X sair para o trabalho, iria até sua casa para lhe dar a boa nova.
Na segunda-feira pela manhã, X sai de casa para ir ao trabalho, renovado depois de passar o domingo em casa, descansando depois de ter trabalhado na noite anterior. Acordara decidido a ter uma conversa séria com Y sobre a relação entre os dois e a formalizar um pedido de casamento. Entra no carro, dá a partida e percorre poucas quadras pensando nos argumentos que utilizaria para convencê-la de que nasceram um para o outro e já era hora de ficarem juntos para sempre, como marido e mulher. Dirige devagar e prudentemente, como sempre. Chegando a um cruzamento, um raio de sol bate sobre seu rosto, fazendo-o, instintivamente, reduzir ainda mais a velocidade do carro, até parar na faixa de segurança por onde um vulto atravessava a rua naquele momento. Surpreso, vê Y aproximar-se do veículo, parar junto à janela do mesmo e dirigir-lhe um sorriso. – Que bom que o encontrei, ela diz. Estava indo a sua casa para lhe falar sobre uma decisão que tomei neste fim de semana em que não nos falamos, atrasei-me um pouco e pensei que não o encontraria antes de ir para o trabalho. Ato contínuo, contornou o carro, entrou sentando-se ao seu lado e deu-lhe um beijo carinhoso ao tempo em que sorria, enigmaticamente. Um sorriso que carregava consigo promessas de muita felicidade.
Conclusão - Os rumos que tomarão as vidas de todos nós, estão sendo decididos agora, através de pequenos gestos e ações aparentemente insignificantes. Dependem de nossas escolhas. O Efeito Borboleta é uma teoria, segundo a qual há um encadeamento de acontecimentos impossível de ser contido e tomando uma proporção cada vez maior, de consequências imprevisíveis, a partir de um fato inicial aparentemente sem importância. Essa Teoria do Caos utiliza o exemplo de que o bater de asas de uma borboleta numa parte do mundo pode desencadear uma reação em cadeia capaz de provocar um furacão no outro lado do planeta. O fenômeno foi descrito pela primeira vez em 1963 pelo meteorologista norte-americano Edward Lorenz quando trabalhava em um sistema de equações diferenciais com o objetivo de modelar a evolução do clima.
Lorenz descobriu que fenômenos aparentemente simples têm um comportamento tão caótico quanto a vida. Ele chegou a essa conclusão ao testar um programa de computador que simulava o movimento das massas de ar. Um dia, o meteorologista teclou um dos números que alimentava os cálculos da máquina com algumas casas decimais a menos, esperando que o resultado mudasse pouco. Mas a alteração insignificante transformou completamente o padrão das massas de ar.
Atenção, portanto, com nossas escolhas, por menos importantes que possam parecer. Elas poderão trazer resultados imponderáveis para nossas vidas. O que nos reporta a uma máxima que vem ao encontro do Efeito Borboleta: o plantio é livre, a colheita é obrigatória. Esta é a reflexão que hoje lhes proponho.
Carpe diem!

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