Diante dos últimos acontecimentos veiculados pela mídia nacional, em relação à casos de mortes envolvendo pacientes que se submeteram a tratamentos estéticos, o jornalismo do Folha da Cidade conversou com o médico Douglas Severo Fraga, cirurgião plástico membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e, a nosso pedido, ele elaborou algumas dicas do que saber sobre o assunto.
Os riscos de realizar procedimentos com não especialistas, diante dos últimos acontecimentos, como o fim trágico de uma paciente que realizou um procedimento estético, chama a atenção para os perigos desses procedimentos realizados por profissionais que não são qualificados.
O PMMA é a sigla para polimetilmetacrilato , que é um tipo de preenchedor que pode ser usado em indicações muito específicas . É um produto autorizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária ) para pacientes com HIV que tenham lipodistrofia facial (eles recebem aplicações em pequena quantidade). Mas nem a SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) nem a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) recomendam o uso do produto para fins estéticos, seja em pequena ou grande quantidade. Usado de forma indevida acarreta uma série de complicações como o aparecimento de granulomas ou calcificações, como reação a um corpo estranho.
Nos glúteos,quando a aplicação é feita por injeção intramuscular, agrava os riscos, já que esta é uma região em que existem muitos vasos sanguíneos. Se a injeção atingir um vaso, pode levar à embolia pulmonar e à morte. A substância também não é absorvida pelo corpo, e reações a longo prazo são imprevisíveis e as sequelas podem ser irreversíveis. Isso quando não ocorre a morte do paciente. A bioplastia é um preenchimento de uma região por algum material sintético para devolver volume, em especial quando há flacidez. São comuns as aplicações em glúteos e face. No entanto, a bioplastia não deve ser feita com PMMA e, para aumento de bumbum, não é a melhor opção.
Os cirurgiões plásticos em geral preferem a colocação de implantes de silicone ou fazer lipoescultura, que consiste na retirada de gordura de alguma área do corpo para injetá-la onde está faltando. Para o glúteo, é necessário grande quantidade de volume, o que não é seguro. Com a crescente invasão da especialidade por não especialistas, a população corre sérios riscos de cair em mãos de falsos profissionais garantindo milagres e a promessa de um corpo perfeito. Cada vez mais casos de insucessos ou fatais estão se tornando notícia. Qualquer procedimento médico só pode ser realizado em clínicas credenciadas ou hospitais com suporte para eventual complicação. Quem está interessado em realizar qualquer procedimento estético ou cirurgia plástica, a recomendação é buscar informações. Profissionais precisam comprovar registro e especialização na sua área. Verificar se o médico responsável pelo procedimento tem cadastro ativo no Conselho Regional de Medicina do Estado.
Além disso, recomenda-se buscar profissionais com especialização na área, essas informações estão localizadas na página do CREMERS. Ser filiado à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica(SBCP) não é obrigatório, mas é outra forma de segurança para o paciente, já que a formação do cirurgião plástico é diferenciada, somando no mínimo 11 anos de formação!! Também é possível fazer a checagem no site da entidade. Vale frisar que o procedimento deve ser feito em ambiente adequado, com todo o aparato necessário. Não se pode fazer lipoaspirações, mamoplastia ou qualquer outra cirurgia em local sem bloco cirúrgico ou suporte para o caso de situações adversas.
Procedimentos estéticos invasivos ou cosmiátricos, devem ser realizados com indicação médica (médicos especialistas em Dermatologia e Cirurgia Plástica). Portanto, segurança do paciente em primeiro lugar, consultar com médico especialista em cirurgia plástica ou dermatologia. Lembrando sempre que cirurgia plástica é realizada sempre com cirurgião plástico!! Dr. Douglas Severo Fraga, cirurgião plástico membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

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