Isidoro Dias Lopes - Poeta e militar pedritense


 Retomando o curso de nossas pesquisas, sempre assessorados pelo professor e museólogo Adilson Nunes de Oliveira, diretos do Museu Paulo Firpo, entidade da qual sempre retiramos o material para a produção dessas matérias especiais, hoje vamos explorar o universo de mais um dos tantos personagens ilustres de Dom Pedrito - Isidoro Dias Lopes, nome que a maioria das pessoas só conhece como o nome dado ao Largo localizado no alto da Av. Barão do Upacarai, onde está a Praça Rui Favalli Bastide.

 No livro "Vultos de Minha Terra", de Lucio da Silva, pseudonimo de João de Deus D`Muti, encontramos a seguinte descrição deste homem singular:

 O nome do general Isidoro Dias Lopes é um padrão de glória para a nossa terra. Nasceu no dia 30 de junho de 1865. Apenas com a idade de 20 anos, abraçou a carreira militar, matriculando-se no Colégio Militar, da capital do Estado, onde soube conquistar a estima e a admiração de seus superiores, alcançando as mais brilhantes notas em todos os seus exames. Na capital do Estado, em companhia de outros estudantes, fundou a revista quinzenal Gutenberg, órgão da Sociedade Literária Carlos Ferreira, onde revelou  promissora inteligência e sublime dedicação às letras. Em outros jornais do Estado e na Gazeta Pedritense (primeiro jornal de Dom Pedrito), colaborou com brilhantes artigos e inspirados sonetos. Abandonou mais tarde o seu brilhante curso militar, graduado com as insígnias de Tenente, para combater ao lado do coronel Salgado, quando estalou a gloriosa campanha de 93. Nesses quatro anos de memoravel jornada. O ilustre pedritense conquistou o posto de tenente-coronel, revelando um raro dom de guerreiro e militar. Foi, em seguida nomeado comandante do 7º Corpo de Cavalaria, organizado no município de Caçapava, tendo como secretário Gerônimo Firpo, velho servidor do federalismo e um abnegado soldado do partido de Gaspar Martins, e como major-adido e ajudante de ordens, Attila Firpo e Annibal Padão. Ao assumir aquele posto, baixou a seguinte ordem de dia:

Á esquerda, Isidoro Dias Lopes ao lado
de Anacleto Firpo e Batista Luzardo
 "Comando do 7º Regimento de Cavalaria. Acampamento em marcha. 8 de agosto de 1865. Cumprido satisfeito as ordens do ilustre comandante em chefe do Exército Libertador, assumo o comando do 7º Corpo. Não devo cobrir o meu desvanecimento e orgulho pela gloria imerecida que me cabe, dirigindo o heróico 7º Corpo de Cavalaria. Para desenpenharme de tão difícil quão honrosa tarefa, não pouparei trabalhos, energia e valor, não medirei sacrifícios, por mais cruentos que sejam, enquanto gozar de vossa confiança. Assim como essa revolução pertence à história, a minha vida pertence a esta santificada causa, desde o momento em que, ouvindo os soluços da pátria riograndense, despi a farda de oficial do Exército Brasileiro, que sempre procurei honrar, abandonei comodidades e posição conquistada pelo trabalho honesto e desprezei os confortos do lar, sem ceder aos reclamos da família adorada. Mas, ilustres camaradas do 7º Corpo, de vós especialmente depende o bom êxito de minha missão; de vós, em nome do patriotismo, da honra e da liberdade, espero a maior coadjuvação, os mais robustos auxílios em prol da causa que defendemos. A vitória será nossa, podemos jurá-lo, mas é necessário ainda lutar muito pelo sossego de nossas irmãs, pela honra de nossas filhas, pela paz do nossos velhos pais e pela independência de nossa pátria. Lutemos, pois, com ardor; lutemos com energia; lutemos até o impossível pela nossa liberdade. 
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