Silvio Bermann


Glamour: um projeto  de engajamento e solidariedade

 Tenho entrevistado, ao longo dos anos, as candidatas ao título de Glamour Girl da Liga Feminina de Combate ao Câncer. O concurso é diferenciado, e as meninas por decorrência também o são. Não se trata de escolher apenas as mais belas (a Glamour e a Glamour Simpatia), mas principalmente as identificadas com a causa da Liga. Isso é avaliado desde a entrevista pela qual elas passam com o júri (que vale 60% da nota total da avaliação). Tive a honra de ser jurado do concurso, em 2016, e falo do assunto com conhecimento de causa. O evento é, na verdade, uma incubadora de voluntárias da Liga e fonte de aprendizado sobre o significado e a vivência da verdadeira solidariedade.

 É somente na prática da solidariedade e no cultivo do amor que podemos nos elevar na escala evolutiva. Recordemos que os mandamentos antigos, de uma época em que provavelmente eram necessários pela condição ainda brutalizada da espécie humana, foram substituídos pelo terno nazareno por apenas esta nova diretriz: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.

 Ora, ao contrário do que aparentemente pode parecer, esta, definitivamente, não é tarefa fácil. Sartre já advertia: o inferno são os outros. Amar a Deus, que é um conceito intangível, passível de ser adequado aos nossos interesses – ou seja, em seu egocentrismo o homem pode dimensionar Deus conforme suas necessidades – deverá ser mais fácil do que amar ao nosso semelhante, justamente por este estar próximo, ser uma realidade material e tantas vezes incômoda e até antagônica aos nossos propósitos. O ato de amar ao próximo, portanto, é, sobretudo, uma sublimação, um transcender-se.

 Mas ainda que o consigamos, isto é, sermos solidários ao nosso próximo, mais complexo o será quando este está fragilizado pela doença, às vezes revoltado ante as circunstâncias e, invariavelmente, carente de atenção e afeto. O nível de dedicação aos pacientes da Liga, por consequência, deve ser substancialmente maior do que qualquer atenção que eventualmente se oferece a quaisquer outros indivíduos de nossas relações de amizade. Considere-se, finalmente, que estamos nos reportando a (candidatas) meninas de uma faixa etária de 15 a 18, 20 anos em média, na plenitude da juventude e da vida que, por óbvio, volta-se para centros de interesse mais amenos e menos comprometidos com o lado sério da existência. Como não louvarmos, então, a atitude dessas moças que, na contramão da maioria de suas colegas e amigas menos engajadas à benemerência e filantropia, já passam a se dedicar à nobre causa que move o voluntariado de uma das entidades mais respeitáveis em nosso meio, a Liga Feminina de Combate ao Câncer!?! Com tal registro, minha intenção é de conclamar a comunidade pedritense a reconhecer o mérito dessa iniciativa, que vai muito além de um mero concurso de beleza, pelo contrário, consubstancia o que há de mais nobre no ser humano, que é o ato de doar-se, de dar de si sem qualquer interesse em vantagens pessoais, buscando apenas o objetivo de amenizar o sofrimento e a dor de seus semelhantes. O que nos remete a quem, nos últimos anos, tem coordenado esse projeto, dona Evelin Coradini, pessoa por demais comprometida com todo esse contexto de generosidade e altruísmo, em cuja fonte as candidatas a Glamour vão, em cada ano, buscar inspiração e compromisso humanitário. Sintam-se, todas, homenageadas. Carpe diem!

Postar um comentário

0 Comentários