Depois da tempestade
vem... a neve!
Frio nunca foi um problema para mim. Desde as temperaturas “de renguear cusco”, nas férias de julho, passadas entre Livramento e Dom Pedrito, sempre preferi o inverno ao calor de derreter asfalto. Mas se tem algo que me atrapalha e irrita, é a chuva. Para meu desgosto, me vi no meio de um dilúvio que começou meados de dezembro e que nos mostrou a que veio.O início do ano de 2018 também foi particularmente agitado e, em três dias foi “regado” pela passagem de duas tempestades: Carmen e Elenaor. Os serviços de meteorologia da França, registram chuvas importantes há quase dois meses. Essa precipitação intensa aliada à fusão de neve nos Alpes, fazem com que a situação ultrapasse a minha mera “irritação” e se torne realmente grave por aqui.
As enchentes do Sena e de seus afluentes atingem quase todo o país. Apesar de Paris também ter sido impactada, não é a maior prejudicada com tudo isso.Aqui na Capital, mesmo com a cheia, as consequências estão sendo menos importantes que em outras cidades. O Sena deve ficar fechado ao tráfego naval por vários dias já que as embarcações, turísticas ou não, não conseguirão passar por debaixo das pontes.Parte da linha RER C (um dos trens que liga Paris aos subúrbios próximos), também está sem operar.O fechamento de algumas vias que o margeiam, obviamente, prejudicam ainda mais o caótico trânsito parisiense. Caso a situação não mude, há uma grande preocupação também em evacuar os porões de quem mora a sua beira, incluindo os dos principais museus franceses, como Orsay e Louvre. Os dois, que abrigam uma enorme riqueza em seus subterrâneos, ficam a poucos metros do rio Sena. O Louvre, inclusive, chegou a fechar ao público, até 29 de janeiro, uma de suas áreas que acolhe o Departamento de Artes Islâmicas, e representa 2.500 m².
Na verdade, é nos arredores de Paris e nos subúrbios - o que não quer dizer uma região de nível econômico menor - que os estragos são maiores. Muitas casas ainda estão em baixo d’água e famílias tiveram que ser evacuadas. O governo decidiu cortar o gás e a eletricidade em alguns locais, pois poderia ser muito perigoso para os moradores. Várias escolas ainda têm suas aulas suspensas e algumas estradas estão fechadas. Ao menos 22 departamentos foram colocados em alerta laranja pelo Vigicrues, ou seja, a segunda cor mais grave na escala. Ah, para quem está se perguntando, o Vigicrues, é um órgão francês que faz parte dos serviços de meteorologia, encarregado da vigilância e informação, em caso de inundação.
Apesar de toda essa “aguaceira” causar espanto e surpresa, não só para os franceses ou para os milhares de turistas que aqui desembarcam, mas também para o mundo inteiro, ela ainda é menor do que a ocorrida em junho de 2016, e que eu bem me lembro. Hoje o Sena, por exemplo, atingiu níveis que variaram entre 5,80 m, contra os 6,10 m de quase dois anos atrás. Além disso, ambas, continuam bem longe dos números registrados na inundação que devastou a capital francesa, em 1910, chegando a 8,62 m.
O mais recente boletim meteorológico indica que a chuva vai dar trégua. A situação de alerta, no entanto, segue elevada e as autoridades locais ainda chamam atenção sobre as possíveis consequências do lento recuo dos rios. Clichê, ou não, não posso deixar de pensar que o poder da natureza é imbatível. Nem mesmo um governo forte e sólido como o francês, é capaz de impedir os estragos e nem proteger totalmente sua população, contra essas assustadoras mudanças climáticas. Isso nos mostra cada vez mais o quanto nosso planeta está pedindo socorro. No mais, o que posso informar é que enquanto conto para vocês o que a chuva causou, neva lá fora, e eu adoro! Mas isso já e uma outra história...


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