Sem projeto alternativo, carnaval pode não sair novamente
Bem, não importa agora qual foi o motivo que pesou mais para o carnaval passado não acontecer: tivessem dinheiro da prefeitura, os carnavalescos flexibilizariam e, pelo bem da segurança pública, aceitariam um evento fora de época, como vários outros municípios já o fazem (e com sucesso)? Não é o que me pareceu nas entrevistas que realizei no início do ano.
O certo é que, ainda que alguma solução seja encontrada para liberar recursos públicos para as escolas e blocos, sem segurança a administração municipal não cometerá o desatino de confirmar o carnaval de rua sem a Brigada garantir policiamento. E, ao que tudo indica, em 2018 se repetirá o problema da falta de efetivo registrado neste ano. Para início de conversa, então: ou os carnavalescos aceitam um carnaval fora de época ou ele não sairá.
Porém, sem dinheiro público, pelo menos até agora, não há carnaval em Dom Pedrito. É o que se ouve todo ano. Então, a menos que uma fórmula milagrosa seja encontrada, não teremos carnaval de rua em 2018. E isto por uma pedra que já foi cantada lá no início deste ano, quando a administração municipal anunciava as exigências da Lei 13.019/2014, a chamada Lei das Subvenções, que criou o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil.
Ora, a referida legislação é extremamente rígida e, para os senhores terem uma ideia, recém agora as sete entidades devidamente cadastradas na prefeitura, todas com uma invejável organização e um histórico de notáveis serviços prestados à comunidade, conseguiram se adequar para receberem as subvenções anuais que a prefeitura historicamente lhes repassa. Asilo da Velhice Major Alencastro da Fontoura, Apae, Aspedef, Liga Feminina de Combate ao Câncer, Centro de Apoio à Vida, Santa Casa de Caridade e Consepro tiveram seus auxílios anunciados nesta semana depois de terem cumprido uma parafernália de exigências burocráticas junto à prefeitura.
E digo mais: ainda que com toda a documentação em dia, essas mesmas entidades provavelmente não terão como se habilitar a receber as ‘sobras’ do orçamento da Câmara de Vereadores, no final do exercício de 2017, a exemplo do que lhes era destinado até 2015 (no ano passado já não receberam aqueles valores, por conta da mesma legislação). O secretário municipal de Governo, Marco Antônio Rodrigues, já antecipa esclarecimentos: pela Lei 13.019/2014, as entidades só poderão receber as ‘sobras’ do Legislativo se tiverem incremento dos serviços que já vêm prestando. E aqui não se fala, por exemplo, de as entidades ‘criarem’ novos projetos ou serviços para poderem receber aqueles recursos. Teria de ser um incremento dos serviços já existentes e elencados no Plano de Trabalho das mesmas. Por exemplo: a Aspedef vem realizando xis atendimentos por ano e, ao longo deste exercício, aumentou o mesmo tipo de atendimentos para xis mais um. Bem, então poderia se candidatar àquelas ‘sobras’, caso contrário não.
Agora, voltemos ao carnaval. Um dos pré-requisitos para as agremiações terem direito a receberem verbas da prefeitura é possuírem um CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) ativo há pelo menos 1 (um) ano. Ao que se saiba, apenas a Associação Pedritense das Agremiações Carnavalescas possui CNPJ. E, na verdade, cada escola de samba e bloco que anseie por recursos públicos deveria ter seu CNPJ constituído há 1 ano antes do carnaval. Todos já providenciaram esse documento? Não que se saiba.
Fui perguntar ao secretário de Governo se não seria possível uma entidade, como a Associação de Carnavalescos, uma vez tendo CNPJ (e se cumprir com todos os demais pré-requisitos, porque não é só CNPJ que se exige), receber os recursos e repassá-los às escolas e blocos. Sim, isto é possível, disse Marquinhos. Mas, para receber aquelas verbas da prefeitura, ainda que com a intermediação da entidade, as escolas e os blocos teriam, igualmente, que possuir CNPJ. Voltamos, pois, à estaca zero.
Estamos recém em setembro, vivendo tempos de Semana Farroupilha. E já antecipo um assunto que virá à tona, invariavelmente com polêmica, na virada do ano. Ou os carnavalescos de Dom Pedrito se adaptam aos novos tempos e à legislação vigente ou, para que a comunidade não fique novamente sem carnaval, alguma alternativa terá de ser encontrada aos tradicionais desfiles a que estávamos habituados. Esperemos para ver. Carpe diem!
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