Missão de Paz no Haiti: Militares pedritenses relatam suas experiências


 Retornaram recentemente ao Brasil, os cinco militares pedritenses que participaram da Missão de Paz no Haiti. Sargento Mário, sargento Olmiro, cabo Perez, cabo Felipe e soldado Marcelo Xavier viajaram em 2015 e retornaram no início de julho de 2016, após desenvolverem, através da Companhia de Engenharia de Força de Paz - Haiti Braengcoy 23, diversos serviços na área de saúde e estrutural para aquele país.

 Atualmente, o componente militar no Haiti, é composto por 2.390 militares de 19 países, incluindo o Exército Brasileiro com 970 militares.  Após o retorno, os militares permaneceram de licença.

 A reportagem do Folha da Cidade conseguiu contato com três e traz abaixo alguns relatos.

Sargento Mário Alex Martins 
Liguiçano -

 Selecionado para o grupamento de saúde, o sargento conta ter atuado com o apoio de profissionais da saúde de 15 países. Entre suas atuações, estão responsabilidades pela estrutura da ambulância, farmácia, Sala de Parada (como se fosse o Pronto Socorro de Dom Pedrito), dedetização e aplicação de Fumacê, documentação da Seção de Saúde e trabalho psicológico com os colegas militares.

 Um momento marcante relatado pelo sargento durante os 7 meses em que esteve no Haiti, foi o atendimento de uma pessoas com deslocamento de bacia. "Eu estava sozinho na base. Tive que estabilizar um haitiano e realizar todos os procedimentos necessários sem nenhum auxílio dos colegas de saúde. Mas após saber que fiz tudo de forma correta foi um alívio", conta. Um fator negativo relatado por ele foi um acidente pouco depois da chegada naquele país. "Fomos queimar um material com combustível e ocorreu uma explosão, sofri queimaduras nas pernas e mãos, permanecei por 21 dias internado e correndo risco de infecção. Hoje estou bem, sigo tratamento. Creio que fiz minha parte no Haiti".


- Cabo Luis Fernando Raymundo Perez  
 Integrante do pelotão vertical no Haiti, o cabo desempenhou as funções de pedreiro e pintura, além de outras atividades. Segundo o militar, a chegada no Haiti foi muito difícil, pois o pensamento estava na despedida dos familiares, tendo em vista ter sido chamado após o impedimento de outro militar. "Quando chegamos tudo era novidade, mas fiquei bastante chocado. Há muita diferença de cultura, o trânsito é caótico", descreve cabo Perez.

 Ele relata que durante o dia, os serviços prestados por ele eram principalmente em orfanatos, hospitais e escolas, sendo cerca de 20%, pois os outros 80% ocorriam à noite em auxílio de segurança na parte estrutural de vias por ser um período mais tranquilo.

 Questionado quanto a principal dificuldade, ele relata que, além da distância da família, era presenciar as diferenças entre os povos. "Para a gente a vida não tem preço, para eles sim. Na primeira missão que fui desempenhar me deparei com um corpo, que deve ter permanecido no local por mais uns dois dias. Aqui chamaríamos a polícia, para perícia e etc, lá não", expõe.

 Perez destaca  o que mais o marcou durante a missão: "Além da miséria que vive o país e da poluição que se encontra, foram duas semanas de reforma em um orfanato. Vivenciei crianças sem ter o que comer, sem expectativa de vida, porém sempre com um sorriso no rosto. Tive vontade de deixar uma mensagem a elas de uma forma que só elas entendessem. Fiz um desenho na parede da sala de estudos", relata Perez.

 Quanto ao retorno e a experiência após a Missão, Perez destaca as amizades e a vivência. "Retornei com outro pensamento. As amizades conquistadas  foram essenciais. Aprendi a agradecer mais a Deus pela vida, família que tenho e país que vivo".


Soldado Marcelo Xavier -

Também integrante do contingente 23, o soldado relatou ter ficado impressionado com a diferença cultural. "Logo ao chegar, me deparei com uma cidade lotada, muito lixo na rua, esgoto a céu aberto e pessoas escovando os dentes em poças de água na rua ou fazendo necessidades pessoais na frente dos outros. Fomos preparados para o pior, mas a realidade é diferente", afirma. Ele, porém, destaca a diferença cultural, que de um lado apresentava miséria e por outro, percebia-se um povo muito alegre. Entre os trabalhos desempenhados por ele no Haiti, estão a abertura de estradas para facilitar a construção de escolas, assistência em orfanato através da doação de alimentos, água e desobstrução de ruas.
  

Quanto à principal dificuldade, Xavier destacou a saudade da família. "Por mais que tivéssemos uma estrutura, conforto e atividades, a família estava longe. Para aguentar fui com um objetivo, tendo em vista que minha família não queria que eu fosse", relata Xavier. Por fim, ao ser solicitado para fazer uma análise do soldado Marcelo após o retorno da missão, ele diz ter retornado outra pessoa. "Às vezes reclamamos de tanta coisa. Lá convivi com as crianças de um orfanato, tinha um menino sem uma perna que jogava futebol com a gente de muletas. Percebi que não podemos reclamar tanto".

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