Silvio Bermann


“Autismo: os desafios do
saber fazer” será tema de seminário


   O 1º Seminário “Autismo: os desafios do saber fazer” está agendado para o dia 18 de outubro, em Dom Pedrito, por iniciativa da Associação de Pais e Amigos dos Autistas (Apaa), com apoio da Secretaria Municipal de Educação e Cultura e do Napi (Núcleo de Apoio Psicopedagógico e Inclusivo). O evento será realizado no CTG Herança Paternal e as inscrições (ao preço de R$ 10,00) estão abertas, até a próxima terça-feira (15), no link do facebook da Apaa.
A programação, naquela data, terá início com o cadastramento, no período das 7h45min às 8h15min. Segue-se a abertura oficial, às 8h30min, e o início dos trabalhos da manhã, com a apresentação das ações do Setor de Educação Inclusiva da Smed (Secretaria de Educação e Formação Profissional) de Bagé, pela sua coordenadora, professora Mara Rubia Pinheirua, e pela supervisora do Setor, Maria Salete Silveira Farias; logo depois, serão abordados Aspectos relacionados ao TEA (Transtorno do Espectro Autista), com a professora mestra Valéria Undargarin Borba e professora Andreia Maria Amaral Silveira. Segue-se intervalo para almoço, das 12h às 13h30min.
No período da tarde, das 13h30min às 16h30min, Rita Cássio Rodriguez abordará “Gestão da Educação Inclusiva: Desafios e Reflexões”. A palestrante é professora da UFPel (Universidade Federal de Pelotas), coordenadora do Núcleo de Inclusão e Acessibilidade, também da UFPel, coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Cognição e Aprendizagem (UFPel) e coordenadora nacional do Congresso Luso-Brasileiro de TEA e Educação Inclusiva.
“O Autismo é um transtorno global do desenvolvimento, marcado por três características fundamentais:  inabilidade para interagir socialmente; dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos; e padrão de comportamento restritivo e repetitivo. O grau de comprometimento é de intensidade variável: vai desde quadros mais leves, como a Síndrome de Asperger (na qual não há comprometimento da fala e da inteligência), até formas graves em que o paciente se mostra incapaz de manter qualquer tipo de contato interpessoal e é portador da comportamento agressivo e retardo mental” (Cartilha do Autismo – Editada pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do RS).
Conversei, na semana passada, com presidente e vice da Apaa, respectivamente Marina Moreira Cassiano e Laura Marques Calçada. “A Associação é um lugar de apoio às famílias dos autistas. Hoje, temos cadastrados 34 crianças e adolescentes, já com laudo médico diagnosticando Autismo, além de outros quatro casos sem diagnóstico definido”, disse Marina.
“As reuniões da entidade são mensais e, por enquanto, são realizadas nas casas dos pais e amigos dos autistas, pois não temos uma sede, um espaço para os encontros, daí a necessidade de lutarmos por uma sede para a Associação”, acrescentou, confirmando que reivindicação neste sentido já foi encaminhada ao Executivo municipal. “Todos os recados entre nós são passados via facebook da Apaa e whatsapp”, desfechou Marina.
Outra questão preocupante é a inexistência de médico neuropediatra no município. Esse atendimento especializado, principalmente nos primeiros tempos após a criança ser diagnosticada com autismo, precisa ser buscado com regularidade, com uma consulta a pelo menos três meses. Consultas essas que são particulares e que custam, de acordo com a Apaa, entre R$ 500,00 e R$ 600,00 cada uma. A estes custos, somam-se, a alimentação e, em algumas vezes, o transporte. Ouvi depoimentos de que a Secretaria Municipal de Saúde é muito presente e solidária e está sempre pronta a fornecer seus veículos para conduzir os autistas e seus acompanhantes a outros municípios – as denominadas “caronas”. O problema é que algumas crianças são muito agitadas, não têm paciência para esperar e seu relacionamento com outras pessoas é bem difícil, motivo que leva muitos familiares a arcarem com as despesas desse transporte.
Enfim, muito ainda precisa ser conquistado para que, efetivamente, o processo de inclusão dos autistas na sociedade seja um fato, mais do que um direito. Daí a importância de um evento como o seminário que acontecerá no dia 18 de outubro. No contexto, ouvi da vice-presidente da Associação, Laura Calçada, que “(...) as pessoas acreditam nas normas do respeito máximo às suas ideias pré-concebidas, menosprezando qualquer outra ideia que ultrapasse a realidade que consideram dita como ‘normal’. É através do conhecimento que vamos romper a barreira do preconceito”.
Vamos, todos, nos engajar a essa causa. A comunidade está sendo chamada a apoiar e, principalmente, interagir com a Apaa, inclusive em nível de voluntariado e mesmo as pessoas que não possuem autistas na família. E que cada um de nós seja multiplicador das informações e conhecimentos técnicos que se possa ir assimilando a respeito, para, assim, contribuirmos a lançar luz sobre a escuridão da ignorância que ainda rodeia todos os transtornos e doenças mentais. Carpe diem!


Publicada na edição impressa de, 12 de outubro de 2019.





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