Maicon Cadeirante -
O
homem por trás do crime
Em face do acontecimento recente, onde Maicon Cunha Carvalho matou um jovem no interior do hospital enquanto estava internado, e na intenção de fazer um relato que fale não somente do fato em si, o Jornal Folha da Cidade traz aos seus leitores uma reportagem especial. Sabemos que todos viemos de algum lugar, estudamos em certa escola, convivemos com esta ou aquela pessoa, e isso constitui a nossa história.
Assim trazemos de forma resumida um pouco da vida deste pedritense que tem se destacado pela sua conduta delituosa. Infelizmente as fontes não são fáceis de serem encontradas e as que o são, têm medo de falar; contudo, trazemos nestas páginas um pouco mais sobre o que foi dito até agora.
Nesse estudo, entretanto, não conseguimos identificar em que momento, ou um fato que tenha desencadeado a forma de ser que todos conhecem de Maicon, se é que é possível fazer esse tipo de avaliação.
Confira a seguir um pouco do que descobrimos:
Veio ao mundo
Maicon nasceu em Dom Pedrito, no Hospital São Luis, às 20h30min, em 15 de setembro de 1992, filho de Vergilio Rosa Carvalho e de Ivone da Silva Cunha, como consta em sua certidão de nascimento.
Escola Dulce da Fonte Abreu
O primeiro registro escolar de Maicon é do ano de 2001, onde aos nove anos de idade, ingressou no que na época seria a primeira série, e como se pode ver, pelo menos dois anos mais velho do que os demais colegas. Em um de seus primeiros pareceres descritivos encontramos o seguinte:
“Aluno comunicativo e participativo. Apresenta bastante dificuldade na leitura e na escrita. Deve trabalhar com mais atenção e interesse, evitar as brincadeiras e a conversa na sala de aula e ler bastante em casa”.
Ata n° 3/2005 – “...às sete horas e cinqüenta minutos, no pátio da escola, o aluno Maicon Cunha Carvalho bateu no aluno Marcelo Calçada Soares, dizendo que o mesmo havia mexido com ele”. Mais adiante “...conversamos com o Maicon, ele disse que vai continuar aprontando e fazer de tudo para ir para a Febem, pois ele tem amigos lá...”.
Em junho de 2006 a diretora à época, professora Vani Regina, acompanhada de uma supervisora da escola compareceram na sala de audiências da Promotoria de Justiça prestando declarações quanto ao comportamento rebelde e incompatível com o bom andamento dos trabalhos, e solicitando a transferência do aluno para uma escola cuja faixa etária dos alunos fosse igual à sua. Por fim, no mês de julho de 2006, é efetivada a transferência de Maicon para a Escola Alda Seabra.
Escola Alda Seabra
Os registros a respeito de Maicon nesta escola, infelizmente seguiram a mesma linha da anterior. Agressões, ameaças, deboches, insubordinação, faltas frequentes são alguns dos relatos de professoras que tiveram contato com Maicon durante o período em que ele esteve matriculado naquela escola. As professoras contaram que devido ao comportamento belicoso de Maicon, era necessário chamar sua mãe com frequência à escola para relatar-lhe as coisas que vinham acontecendo, as atitudes que ele vinha tomando. Sua mãe a tudo ouvia, mas de alguma forma se sentia vitimizada, dizendo que estava sendo alvo de racismo, de preconceito por parte da escola, que seu filho estava sendo injustiçado, que estavam “pegando no pé dele”
As internações
Maicon frequentemente necessitava ser internado, por conta de suas escaras, também conhecidas como úlceras de pressão, e que se formam pela deficiência prolongada de irrigação de sangue e nutrientes a determinada parte do corpo. Pela condição de cadeirante e pela falta de cuidados, Maicon as possui. Certa vez foi encaminhado para fazer um enxerto, mas não foi possível por causa de uma infecção urinária crônica. Dr. Marco Paulo, médico que o tratou em suas últimas internações explicou que foram administrados vários tipos de antibiótico na tentativa de controlar a infecção, mas a bactéria causadora é muito resistente, dificultando o tratamento. Conversamos também com o setor de psicologia e assistência social. Por motivos éticos, as profissionais não puderam entrar em particularidades do atendimento, mas nos contaram de maneira geral que Maicon é portador de uma psicopatologia, o que explica em parte toda a sua conduta. Personalidade forte e manipuladora são alguns dos aspectos observados em seu modo de agir. Instinto violento, sem piedade e frieza diante da dor alheia completa o quadro de sua doença moral. Ele, principalmente depois de ficar na cadeira de rodas, desenvolveu um sentimento de autodestruição, visto que até os curativos de que necessita, por vezes ele impedia que a enfermagem realizasse os procedimentos.
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