Criado no ano 2000, o grupo Tacuarembó surgiu para ser uma alternativa ao médio produtor de Dom Pedrito para pensar, administrar e efetivar seus negócios de forma mais consistente.
A soma dos números de produção, terras e animais dos participantes promove um poder de negociação maior e gerador de um melhor posicionamento do mercado pecuário. Atualmente, coordenado por Francisco Cardoso e pelo vice Nério Rodrigues dos Santos, o Tacuarembó é composto por pecuaristas de dez propriedades rurais.
O nome do grupo foi inspirado na denominação do rio que cruza e estabelece um elo físico de união entre a maioria das propriedades dos integrantes do grupo.
A ideia de uma atuação coletiva começou a germinar quando o pecuarista Nério dos Santos detectou que o envolvente trabalho em sua propriedade estava provocando um nítido isolamento.
A necessidade de bons resultados e a busca da excelência na produção diária tornavam-se absorventes demais e acabaram impedindo a troca de ideias e o crescimento do empresário pecuarista. Santos procurou o colega Adil Pires para juntos articularem a criação de um grupo para atuação em conjunto com diversas situações. Assim surgiu o Grupo Tacuarembó, hoje uma referencia nacional em termos de organização e longevidade. Tradicionalmente, o estado do Paraná mantém grupos do mesmo gênero, mas nenhum se manteve atuante por tanto tempo, como vêm fazendo os gaúchos.
Quase como uma família, o Tacuarembó tem papel de destaque na região e está chamando a atenção de entidades como o Sebrae, que estuda uma ação de acompanhamento para o grupo. O próprio Sindicato Rural de Dom Pedrito dedica ao Tacuarembó à deferência devida a uma entidade de classe, colocando o grupo no programa anual de cursos fornecidos pelo sindicato.
Se o grupo é formado por empresários de porte médio, os números somados pelo grupo assumem proporções de gente grande. Entre os dez componentes do Tacuarembó, totalizam-se 5.438 hectares de terra, 4350 mil bovinos, 2 mil ovinos e cerca de 80 equinos.
Mesmo apresentando sua rotina, problemas e buscas de soluções ao grupo, cada integrante mantém sua independência administrativa, não estando em nenhuma instância sujeito à obrigatoriedade de aplicação das sugestões do grupo em sua propriedade. “Esse talvez seja o nosso grande diferencial, pois em outro tipo de associação ou cooperativa, acaba-se interferindo na individualidade de seus membros”, salienta Nério.
A ação em conjunto se realiza na troca de experiências, busca de soluções coletivas ou individuais estudadas pelo grupo e, principalmente, nas transações comerciais, parte dos insumos são adquiridos coletivamente, aumentando desta maneira o poder de barganha e a conquista de preços mais interessantes.
Por uma exigência da própria indústria frigorífica, os integrantes do Tacuarembó trabalham na ideia de padronização de suas raças na pecuária de corte. Algumas medidas já estão sendo tomadas como a melhoria do rebanho de touros, uso de métodos como inseminação artificial e seleção de rebanho já redimensionam o andamento das atividades em cada uma das propriedades integrantes do grupo. O padrão racial deverá ser alcançado em quatro ou cinco anos.
Para entrar no Tacuarembó é preciso ser convidado.
O grupo está fechado e coeso em suas ideias e funcionamento e tão cedo não há nenhuma perspectiva de se desmembrar. “Possivelmente a gente evolua para uma forma jurídica convencional como cooperativa ou associação visando à formalização das compras e das vendas realizadas em nome do grupo”, admite Adil Pires.
Fonte: Revista Ação e Produção/Sindicato Rural de Dom Pedrito.
Componentes do grupo Tacuarembó
Nério Rodrigues dos Santos, Adil Bueno Pires, Francisco Cardoso, Almir carvalho, Berenice Canarim, Paulo Dalmaso, Dario C. dos Santos, Claudio Machado, FML Pecuária e Wiliam Madeira.


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