Uma mãe clama por
justiça
Qual é o valor de uma vida? Uma desavença, os danos materiais causados a um objeto qualquer seriam motivos suficientemente justificáveis para se tirar uma vida?
Essas são perguntas que uma mãe, Vera Denise Pires, vem se fazendo, desde que seu filho, Guilherme Junior Jorge Coelho, foi violentamente assassinado, quase em frente a sua casa.
Relembre o caso
No final da noite de 7 de janeiro deste ano, após um aparente desentendimento em família, o jovem Aldo de Jesus Adolfo Fontoura Junior, desferiu golpes de facão na vítima Guilherme Junior Jorge Coelho. O crime ocorreu na rua Marechal Deodoro, próximo a sanga das Piúgas.
O fato gerou muitas controvérsias, pois, o acusado apresentou uma versão em que disse que Guilherme estava armado com uma faca e o teria ameaçado, fato rebatido pela irmã da vítima. Guilherme havia bebido e ao que parece, o fato desencadeador do assassinato, teria sido um retrovisor de automóvel quebrado.
Reproduzimos o fato de maneira sucinta, pois, que, não é nossa intenção reescrever o que já foi dito na edição de 14 e 15 de janeiro. Apenas nos reportamos ligeiramente ao fato, de maneira a relembrar o leitor a respeito de um crime acontecido nos primeiros dias do ano.
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| Guilherme Junior Jorge Coelho |
Durante a semana que passou, recebemos a visita da mãe de Guilherme, que nos relatou o sofrimento que vem enfrentando desde aquela fatídica noite de 7 de janeiro. Conta ela que não tem sido fácil a vida sem aquele que era mais do que um filho, era o companheiro alegre de todos, o parceiro de seu pai, com o qual trabalhava de pintor. "Ele era muito feliz, estava sempre aqui em casa nas folgas do trabalho, mal consigo dormir à noite" relata Vera com os olhos marejados. Um fato que tem tornado os dias difíceis, é a proximidade de sua casa com a de sua irmã, sogra do acusado que, por opção saiu em sua defesa.
Conta Vera que vê-la, juntamente com a nora, passando seguidamente em frente a sua casa, como se nada tivesse acontecido, machuca demais seu coração de mãe. "Sei que não posso impedir as pessoas de passar em frente a minha casa, a rua é pública, eu sei, mas eu não esperava que minha própria irmã fosse capaz disso" falou Vera. A primeira audiência foi muito dolorosa para todos, momento que esteve frente a frente com o acusado. Vera relatou à nossa reportagem que agora o acusado vai a júri popular. "Sei que o mais importante é a vida, mas espero que a justiça seja feita" sentencia. Ainda em conversa com essa mulher sofrida, soubemos que em fevereiro de 2016, Guilherme veio da cidade de Alvorada, onde estava residindo, para Dom Pedrito, justamente por medo da criminalidade. Por ironia do destino, Guilherme veio a perder a vida justamente, na sua cidade natal, próximo a sua casa paterna, entre seus familiares. Guilherme deixou esposa e dois filhos, uma menina de 2 anos e um menino de 9 anos.
Neste episodio, independente da sentença a ser proferida, ficaram uma ou mais famílias com o sentimento ferido para toda vida. Vida que não volta mais, vida que tem sido tão banalizada a ponto de fazer com que as querelas do dia a dia transformem-se em lâminas e projéteis a ceifar vidas mundo afora.
Que casos como este sirvam de exemplo a todos quantos se acham na iminência de desgraçarem sua existência por conta de orgulhos feridos. A dor de uma mãe, de uma esposa, de filhos agora órfãos tem que ecoar na sociedade, para que fatos desta estirpe tornem-se cada vez mais raros.


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